segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Caíram acusações fabricadas contra o antigo primeiro-ministro de Timor-Leste

(Tradução da Margarida)

WSWS - 26 Fevereiro 2007
Por: Peter Symonds

A decisão do princípio do mês dos procuradores de Timor-Leste para encerrarem todas as acusações contra o antigo Primeiro-Ministro Mari Alkatiri raramente mereceu uma menção na Austrália, já para nem falar nos media internacionais. Isto aconteceu em grande contraste com a extraordinária campanha de demonização realizada em Maio e Junho passado para justificar a intervenção militar da Austrália em Timor-Leste e forçar a resignação de Alkatiri.

A acusação de que Alkatiri e o seu ministro do interior Rogério Lobato tinha armado um “esquadrão de ataque” para assassinar opositores políticos foi a acusação principal usada para remover o primeiro-ministro. Enquanto Lobato enfrenta julgamento sobre a alegada ofensa, o caco contra Alkatiri foi encerrado por falta de evidência.

Alkatiri disse aos media em Dili: “As alegações falsas, emitidas com extremo preconceito político e a máxima da má-vontade, concluíram-se que não tinham qualquer base quando foram sujeitas ao escrutínio judicial.” descreveu as acusações como “uma campanha de difamação politicamente motivada instigada contra o meu bom nome e carácter em Timor-Leste, Austrália, e noutros sítios.”

O antigo primeiro-ministro ameaçou processar a Australian Broadcasting Corporation (ABC), que foi a primeira a televisar a alegação num programa da “Four Corners”, “Stoking the Fires” em 19 de Junho. O programa fabricou uma série de afirmações sem base exactamente na altura em que o governo Australiano e os seus aliados em Timor-Leste desesperavam por um meio para remover o primeiro-ministro do cargo. Alkatiri disse ao Sydney Morning Herald: “A ABC prejudicou a minha imagem, a minha família e o meu partido.”

A demonização de Alkatiri começou antes do destacamento das tropas Australianas para Timor-Leste no fim de Maio. Os media Australianos publicaram história atrás de história a denunciar Alkatiri como um autocrata frio, culpando o seu governo da Fretilin do desassossego político que varria a pequena nação, e urgindo abertamente à sua remoção. No meio de uma série de provocações violentas por soldados amotinados, o governo Howard, com o apoio do Presidente Xanana Gusmão, pressionou Alkatiri para concordar com a entrada de tropas Australianas.

A hostilidade muito mal disfarçada de Canberra contra o governo da Fretilin reflectiu rivalidades crescentes entre a Austrália, Portugal e outros poderes por influência em Dili. Em 1999, o governo Howard despachou tropas para Timor-Leste para assegurar que a Austrália teria o papel dominante quando a meia ilha caminhava para a independência e assegurar o controlo sobre as reservas substanciais de petróleo e gás no Mar de Timor. Depois da independência formal em 2002, contudo, o governo da Fretilin virou-se para outros países para assistência—incluindo Portugal, China e Cuba—e entrou em conflito com a Austrália sobre a divisão dos recursos do Mar de Timor.

Tal como em 1999, a decisão de Howard de enviar tropas Australianas em Maio último foi motivada não por qualquer preocupação com os Timorenses, mas pela sua determinação de re-afirmar os interesses Australianos. Alkatiri, contudo, recusou submeter-se à pressão para resignar do governo e media Australianos, do Presidente Gusmão e do então ministro dos estrangeiros José Ramos-Horta. Além de que, apesar das suas ameaças, Gusmão não tinha o poder constitucional para remover Alkatiri do cargo sem aprovação do parlamento, onde a Fretilin tinha uma grande maioria. No meio deste tenso finca-pé político, a ABC emitiu convenientemente as alegações anti-Alkatiri.

O programa da “Four Corners” foi uma peça de propaganda política despudorada. A afirmação de que Alkatiri estava envolvido na armação de um “esquadrão de ataque” baseava-se em afirmações de inimigos políticos seus—incluindo polícias e soldados amotinados que obviamente eram hostis ao governo da Fretilin. O líder do esquadrão—Vincente “Railos” da Conceição—era uma pessoa de carácter altamente duvidoso e não deu nenhuma razão plausível para a sua repentina mudança de lealdade da Fretilin para a oposição. Contudo as suas alegações foram sem hesitação relatadas como boas pela jornalista da ABC Liz Jackson.

O Presidente Gusmão mandou imediatamente a Alkatiri uma gravação do programa, juntamente com uma nota a pedir a resignação do primeiro-ministro. Mas Alkatiri negou ter armado Railos e recusou sair. Entre outros pontos, Alkatiri anotou o carácter contraditório das alegações. Estava a ser acusado de formar um esquadrão de ataque que tinha estado envolvido em atacar unidades das forças armadas leais ao seu governo. Levou mais uma semana de assédio, ameaças legais e escalada de tensões políticas antes de finalmente Alkatiri ter cedido e resignado em 26 de Junho. Ramos-Horta, que tinha laços de há muito com a Austrália, foi instalado no seu lugar em 10 de Julho.

O facto de os procuradores terem decidido agora encerrar as acusações contra Alkatiri por falta de evidência é uma acusação contra todos os envolvidos nesta conspiração política: não somente Gusmão e Ramos-Horta, mas o governo Australiano e os media, acima de todos a ABC. Pela sua parte, Liz Jackson ganhou um prémio Walkley dourado, o prémio de topo do jornalismo da Austrália, pelo seu programa da “Four Corners”, o que, dada a extraordinária falta de qualidade da sua “investigação” só pode ter sido por serviços políticos prestados.

A decisão para deixar cair qualquer acusação contra Alkatiri fora prevista em Outubro passado quando uma comissão especial de inquérito da ONU não encontrou qualquer evidência “na base da qual pudesse recomendar que Mari Alkatiri devia ser processado por estar envolvido na posse ilegal ou uso de armas”. O relatório pediu mais investigações para determinar se Alkatiri sabia mais sobre armação ilegal de civis do ministro do interior Lobato. Mas quatro meses mais tarde o caso foi encerrado.

A comissão da ONU, que foi requerida por Ramos-Horta, estava longe de ser independente ou sem preconceitos. Os seus termos de referência foram estreitamente confinados a incidentes específicos de violência em Timor-Leste durante Abril e Maio de 2006. O relatório não fez nenhuma referência ao papel do governo Australiano, antes, durante ou depois da sua intervenção militar. A comissão ignorou o facto de soldados e polícias amotinados serem claramente culpados de pegarem em armas contra o Estado e em vez disso pôs o foco em casos de violência estritamente limitados. Mesmo assim, o relatório da comissão foi forçado a recomendar acusações contra Railos e um outro amotinado sombrio o “Major” Alfredo Reinado, que esteve também envolvido nos ataques contra tropas do governo. Durante a crise, Reinado gozou de uma relação particularmente estreita com os media Australianos, bem como com sectores das forças armadas Australianas.

Até agora o único julgamento tem sido o de Lobato. Railos e Reinado parecem ter uma vida charmosa. Railos participou na cerimónia de investidura de Ramos-Horta como primeiro-ministro o ano passado e subsequentemente foi filmado a participar numa cerimónia organizada pelo Presidente Gusmão.

Reinado continua ao largo, depois de ter conseguido sair pelo seu pé literalmente da prisão principal de Dili em Agosto passado ao lado de mais de 50 de outros presos. De acordo com o Age, oficiais das forças armadas Australianas podem ter estado envolvidos na negociação dos termos da sua rendição e por isso das acusações que enfrentará. Um acordo anterior caiu este mês depois do governo da Fretilin se ter oposto por ser inconstitucional e discriminatório.

O arquivamento das acusações contra Alkatiri constitui um golpe contra os seus opositores políticos no caminho para as eleições presidenciais e parlamentares agendadas para este ano. No que foi sem dúvida um acordo feito entre os dois, Horta tem a intenção de concorrer nas eleições presidenciais em Abril, enquanto Gusmão indicou que concorrerá ao parlamento à frente de um novo partido—o Conselho Nacional da Resistência Timorense (CNRT). O objectivo, como explicou o Sydney Morning Herald, “é derrubar a Fretilin do seu pedestal como força política dominante e remover a sua maioria no parlamento”.

Sem acusações pendentes sobre a sua cabeça, Alkatiri está agora livre para fazer campanha em favor da Fretilin. O Australian de Mudoch, que teve um papel proeminente na demonização de Alkatari o ano passado, lançou um aviso num editorial em 7 de Fevereiro que “o regresso de Mari Alkatiri pode desestabilizar mais Timor-Leste”. Não há nenhuma dúvida que o governo de Howard, com a assistência dos media Australianos trabalhará para assegurar a sua derrota—por todos os meios disponíveis, incluindo mais provocações.

Ataque do major Reinado motiva caça ao homem

TIMOR-LESTE
Fonte: Diário de Notícia
26-02-2007
pag. 11
Autor: Cadi Fernandes

Numa altura em que os timorenses se preparam para escolher, em Abril, um novo presidente, o espectro da violência volta a pairar sobre o país. O antigo comandante da Polícia Militar de Díli assaltou a esquadra de Maliana, roubando as armas que lá se encontravam. Ao DN, a embaixadora Pascoela Barreto não esconde a sua preocupação: "O que está por detrás disto?"

Uma verdadeira caça ao homem foi lançada, ontem, em Timor-Leste, depois de forças do major Alfredo Reinado terem assaltado um posto da policia em Maliana, a sudoeste de Díli, perto da fronteira com a Indonésia, roubando armas que lá se encontravam. Isto numa altura em que, na frente política, o actual primeiro-ministro timorense e Prémio Nobel da Paz, José Ramos-Horta, acaba de oficializar a candidatura à Presidência da República (ver caixa).

Nesta operação estão envolvidas forças timorenses e também militares australianos e neozelandeses das Forças de Estabilização Internacionais (ISF), sem que se perceba, ainda, se estão a funcionar em sintonia ou de forma independente.

"Não houve confrontos nem resistência", afirmou à agência Lusa a comissária Mónica Rodrigues, porta-voz da Policia das Nações Unidas (UNPo1). O que pode ser justificado pelo facto de as forças policiais terem sido literalmente surpreendidas pelos homens do major Reinado ou, em alternativa, pela dimensão do ataque perpetrado no posto Junction Point Charlie, em Tonubibi, Maliana, dado que os assaltantes estavam fortemenfe armados. Mais: o major terá dito que precisava das armas "para defender o país". Um país que, a 9 de Abril, será chamado às urnas para a primeira volta das presidenciais.

A comprovar a volatilidade da situação - na sexta-feira registaram-se confrontos entre homens munidos de setas metálicas e soldados australianos armados, que resultaram na morte de dois timorenses -, as Nações Unidas decidiram prolongar por mais um ano, até Fevereiro de 2008, a sua missão em Timor-Leste (UNMIT), cujo mandato expiraria ontem.

A tensão adensa-se. Os australianos, que não hesitam em disparar, se necessário - como terá acontecido num campo de deslocados junto ao aeroporto de Díli -, estão conscientes da possibilidade de novos ataques. E os indonésios intensificam as operações de vigilância junto à fronteira.

Este é mais um episódio da saga de Reinado, ex-comandante da Polícia Militar, com contornos violentos e estranhos, que inquieta sobremaneira os timorenses, como afirma, em entrevista ao DN, a embaixadora Pascoela Barreto. No fundo, está em causa perceber porque é que Reinado, que passou de polícia a bandido, figura marcante da crise político-militar que abalou Timor em Abril, Maio de 2006, permanece livre. Uma situação tanto mais enigmática quanto se sabe que Reinado e o procurador-geral da República timorense, Longuinhos Monteiro, terão assinado, há três semanas, em Gleno, um "acordo explícito", nos termos do qual o foragido se comprometia a prestar contas à justiça, como revelou, no sábado, Ramos-Horta à Lusa.

No blogue Timor Online, por exemplo, dá-se conta desta estupefacção: "A PNTL (Polícia Nacional de Timor-Leste) em Maliana está sozinha ou quantos UNPo1 estão lá?"

Em Arouca, onde está de visita, o bispo D. Ximenes Belo, administrador apostólico emérito de Díli, disse: "Rezo pelo meu país."

Ramos-Horta oficializa candidatura presidencial

O primeiro-ministro timorense, e Prémio Nobel da Paz, José Ramos-Horta, fez ontem em Laga o anúncio formal e oficial da sua candidatura às eleições presidenciais de Abril: "Hoje [ontem], aqui, nesta terra de Laga, anuncio a todo o povo de Timor-Leste, lorosae e loromu, tasifetu e tasimane, e ao resto do mundo, a minha candidatura a presidente da República." José Ramos-Horta referia-se aos quatro pontos cardeais da geografia timorense: Lorosae, o Leste e o seu povo; Loromu, o povo do Oeste do país; Tasifetu, literalmente "o mar mulher", na costa norte; Tasimane, "o mar homem"", da bravia costa sul. Estas categorias, sobretudo a suposta divisão entre lorosaes e loromus, têm sido o pretexto e o contexto de violência e tensão em Timor, desde o início de 2006. Foi contra uma alegada discriminação étnica que cerca de 600 militares das Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste assinaram, há quase um ano, uma petição ao actual Presidente, Xanana Gusmão, e às chefias militares, lançando as bases de uma crise que rebentaria em finais de Abril. Vários mortos e algumas detenções depois, José Ramos-Horta deixou ontem uma mensagem clara sobre o assunto ao abandonar Laga - como relatou o correspondente da Lusa, Pedro Rosa Mendes -, afirmando, em tétum, que "Timor é um ou uno".


Seis perguntas a… Pascoela Barreto – Embaixadora de Timor

“Urge repor a autoridade do Estado”

Que análise faz da situação?
Estou muito preocupada com as notícias dos últimos dias, dando conta de que a violência tem vindo a aumentar. Houve um assalto à polícia em Maliana e roubaram armas. Porquê? As pessoas pensam logo em grupos armados fora do controlo das forças de segurança. Todos nos questionamos por que razão o grupo de Reinado está em liberdade, continua a monte. O que está por detrás disto? Por que razão a violência começa a subir de tom? Urge repor a autoridade do Estado e das instituições.

A quem aproveita a violência?
Àqueles a quem a desestabilização interessa para reinarem.

A comunidade internacional esqueceu Timor?
Não. Ainda há simpatia e apoio internacionais. Mas estas eleições podem ser determinantes, pois é sabido que há muitos problemas no mundo, como no Iraque, no Sudão, na antiga Jugoslávia... Temos consciência disso.

E Portugal?
Portugal tem estado sempre presente em todas as situações. Ainda recentemente foi aprovado o envio de mais forças da GNR. Tem sido o maior doador em termos bilaterais e, mesmo, multilaterais. Também vai enviar observadores para as eleições, como, aliás, a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Que pensa da candidatura de Ramos-Horta à Presidência?
Faz parte da aprendizagem da democracia a apresentação de candidaturas por quem se sente capaz de dirigir o país.

É um ciclo que se fecha?
Sim, mas esta fase não será menos difícil do que a luta armada.

"Reinado passou dos limites", declara Presidente Xanana

Díli, 26 Fev (Lusa) - O Presidente de Timor-Leste, Xanana Gusmão, anunciou hoje que autorizou uma operação de captura do major Alfredo Reinado, depois de constatar que o militar fugitivo "passou dos limites".

Alfredo Reinado, que fugiu de uma prisão em Díli em 30 de Agosto de 2006, assaltou no domingo três postos da polícia de fronteiras no Sudoeste do país.

Numa comunicação ao país a ser transmitida esta noite pela televisão timorense, o Presidente da República refere que Alfredo Reinado e o seu grupo levaram 25 armas e uniformes de postos policiais no distrito de Maliana.

"Hoje de manhã, reuni-me com o primeiro-ministro, com o representante especial do secretário-geral da ONU, o brigadeiro Rerden, para analisar a situação do Alfredo, e a estupidez que ele fez ontem", declarou Xanana Gusmão, referindo a reunião de emergência com José Ramos-Horta, Atul Khare e o comandante das Forças de Estabilização Internacionais (ISF).

"Como Presidente da República e comandante das Forças Armadas", Xanana Gusmão afirmou que "todo foi feito" para resolver o caso Alfredo Reinado "por meios pacíficos" e evitando a "solução militar".

"Alfredo aproveitou-se sempre da situação para manipular", dizendo "hoje uma coisa e amanhã outra", e o Presidente da República considera que o militar "não é consistente com o que diz".

Alfredo Reinado, ex-comandante da Polícia Militar, foi uma das figuras centrais na crise política e militar de Abril e Maio de 2006. Foi detido em Julho na posse ilegal de material de guerra, durante uma operação de busca a três residências em Díli.

Há três semanas, o procurador-geral da República, Longuinhos Monteiro, chegou a acordo com Alfredo Reinado para que ele respondesse pela morte de um soldado das F- FDTL a 23 de Maio e pela posse ilegal de armas.

PRM Lusa/Fim

Fabricated charges dropped against East Timor’s former prime minister

WSWS - 26 February 2007
By Peter Symonds

The decision earlier this month by East Timor’s prosecutors to drop all charges against former Prime Minister Mari Alkatiri barely rated a mention in the Australian, let alone international, media. This was in sharp contrast to the extraordinary campaign of vilification conducted last May and June to justify Australia’s military intervention in East Timor and to force Alkatiri’s resignation.

The accusation that Alkatiri and his interior minister Rogerio Lobato had armed a “hit squad” to assassinate political opponents was the main charge used to oust the prime minister. While Lobato faces trial over the alleged offence, the case against Alkatiri has been dropped for lack of evidence.

Alkatiri told the media in Dili: “The false allegations, aired with extreme political bias and utmost ill-will, have been found to be baseless when subjected to judicial scrutiny.” He described the accusations as “a politically motivated smear campaign instigated against my good name and character in East Timor, Australia, and elsewhere.”

The former prime minister has threatened to sue the Australian Broadcasting Corporation (ABC), which first televised the allegation in a “Four Corners” program “Stoking the Fires” on June 19. The program dredged up a series of unsubstantiated claims right at the point when the Australian government and its allies in East Timor were desperate for a means to lever the prime minister from office. Alkatiri told the Sydney Morning Herald: “The ABC damaged my image, my family and my party.”

The vilification of Alkatiri began before the dispatch of Australian troops to East Timor in late May. The Australian media published story after story denouncing Alkatiri as an aloof autocrat, blaming his Fretilin government for the political unrest wracking the small nation, and openly urging his removal. Amid a series of violent provocations by rebel soldiers, the Howard government, with the support of President Xanana Gusmao, pressured Alkatiri into agreeing to the entry of Australian troops.

Canberra’s barely disguised hostility to the Fretilin government reflected intensifying rivalry between Australia, Portugal and other powers for influence in Dili. In 1999, the Howard government dispatched troops to East Timor to ensure Australia would play the dominant role as the half island moved towards independence, and secure control over the substantial oil and gas reserves in the Timor Sea. After formal independence in 2002, however, the Fretilin government turned to other countries for assistance—including Portugal, China and Cuba—and came into conflict with Australia over the division of the Timor Sea resources.

As in 1999, Howard’s decision to send Australian troops last May was motivated, not by concern for the East Timorese, but by his determination to reassert Australian interests. Alkatiri, however, refused to buckle to pressure to resign from the Australian government and media, President Gusmao and then foreign minister Jose Ramos-Horta. Moreover, despite his threats, Gusmao did not have the constitutional power to remove Alkatiri from office without the approval of parliament, where Fretilin had a large majority. Amid this tense political standoff, the ABC conveniently broadcast the anti-Alkatiri allegations.

The “Four Corners” program was a shameless piece of political propaganda. The claim that Alkatiri was involved in arming a “hit squad” rested on statements made by his political enemies—including rebel police and soldiers who were obviously hostile to the Fretilin government. The leader of the squad—Vincente “Railos” da Conceicao—was a highly dubious character who offered no plausible reason for his sudden switch of allegiances from Fretilin to the opposition. Yet his allegations were all breathlessly reported as good coin by ABC journalist Liz Jackson.

President Gusmao immediately sent a tape of the program to Alkatiri, together with a note demanding the prime minister’s resignation. But Alkatiri denied arming Railos and refused to step down. Among other points, Alkatiri noted the self-contradictory character of the allegations. He was being accused of forming a hit squad that had been involved in attacking army units loyal to his government. It took another week of bullying, legal threats and escalating political tensions before Alkatiri finally caved in and resigned on June 26. Ramos-Horta, who had longstanding ties to Australia, was installed in his place on July 10.

The fact that prosecutors have now decided not to file charges against Alkatiri for lack of evidence is an indictment of all those involved in this political conspiracy: not only Gusmao and Ramos-Horta, but the Australian government and media, above all, the ABC. For her part, Liz Jackson went on to win a Gold Walkley, Australia’s top journalism award, for her “Four Corners” program, which, given the extraordinarily shabby standard of her “investigation”, could only have been for political services rendered.

The decision to drop any charges against Alkatiri was foreshadowed last October when a special UN commission of inquiry found no evidence “on the basis of which it could recommend that Mari Alkatiri should be prosecuted for being involved in the illegal possession or use of weapons”. The report called for further investigations to determine if Alkatiri knew about the illegal arming of civilians by interior minister Lobato. But four months later the case has been dropped.

The UN commission, which was requested by Ramos-Horta, was far from independent or unbiased. Its terms of reference were narrowly confined to specific incidents of violence in East Timor during April and May, 2006. The report made no reference to the role of the Australian government, before, during or after its military intervention. The commission ignored the fact that rebel soldiers and police were clearly guilty of taking up arms against the state and focussed instead on strictly limited cases of violence. Even then, the commission report was forced to recommend charges against Railos and another shady rebel “Major” Alfredo Reinado, who was also involved in attacking government troops. During the crisis, Reinado enjoyed a particularly close relationship with the Australian media, as well as with sections of the Australian army.

The only trial so far has been of Lobato. Railos and Reinado appear to enjoy a charmed life. Railos attended the swearing in of Ramos-Horta as prime minister last year and was filmed subsequently attending a function organised by President Gusmao.

Reinado is still at large, after managing to literally walk out of Dili’s main jail last August along with more than 50 other prisoners. According to the Age, Australian military officers have been involved in negotiating the terms of his surrender and thus the charges he will face. A deal earlier this month fell through after the Fretilin government opposed it as unconstitutional and discriminatory.

The dropping of charges against Alkatiri constitutes a blow to his political opponents in the lead-up to presidential and parliamentary elections due to be held this year. In what was undoubtedly a deal worked out between the two, Horta intends to stand in the presidential election in April, while Gusmao has indicated he will run for parliament at the head of a new party—the National Council of Timorese Resistance (CNRT). The aim, as the Sydney Morning Herald explained, “is to knock the Fretilin party off its pedestal as the dominant political force and remove its majority in the parliament”.

Without charges hanging over his head, Alkatiri is now free to campaign on behalf of Fretilin. Murdoch’s Australian, which played a prominent role in vilifying Alkatari last year, sounded a warning in an editorial on February 7 that “Mari Alkatiri’s return could further destabilise East Timor”. There is no doubt that the Howard government, with the assistance of the Australian media, will be working to ensure his defeat—by all available means, including further provocations.

Timor poll may be scuttled by violence

The Australian - February 26, 2007
Mark Dodd

Worsening violence in East Timor, including the fatal shooting of two Timorese men by Australian peacekeeping troops, could undermine plans for free and fair presidential elections in five weeks, diplomats warn.

In the latest violence, two Timorese were killed and another wounded when Australian troops patrolling near Dili airport opened fire after being attacked by rioters armed with steel darts.
The incident, a setback in efforts to establish order in the capital battered by months of gang violence, arson and criminal lawlessness, is being investigated by the Australian Defence Force, UN police and East Timorese authorities.

It prompted Foreign Minister Alexander Downer to describe the current security situation in Dili as "not good".

Voter registration for the April 9 presidential poll is incomplete, partly due to large population movements out of the capital caused by violence, a senior Dili-based Western diplomat said yesterday.

"Security outside Dili is generally OK, but in the capital it's a different story - it's a serious problem and you've got an eighth of the population living here," the security analyst said.
Interim Prime Minister Jose Ramos-Horta confirmed yesterday he would stand as a presidential candidate, as foreshadowed by The Australian.

If elected, Mr Ramos-Horta promised to dedicate himself to restoring national unity.
Mr Ramos-Horta, a joint Nobel Peace Prize winner for non-violent resistance to Indonesian rule, said in his candidacy speech he had gone through "weeks of reflection and hesitation" before deciding to seek the post, amid the worst crisis since the nation broke from Jakarta in 1999.
"We laid down the arms after the fight against the occupation, but now our fight is for our future," he said, speaking in the local Tetum language. In this new fight, each Timorese citizen has the responsibility to serve their country. Therefore, I am available to assume my responsibility to my country."

President Xanana Gusmao will not contest the vote and will step down when his current term expires, a move expected to pave the way for him to become an MP in parliamentary elections later in the year.

Four other candidates have confirmed they will run for the presidency.

11,000 supporters at Fretilin Oecussi rally

www.timortruth.com

DILI, 26 February 2007

FRETILIN held a mass pre-election rally on 24 February 2007 in the district enclave of Oecussi-Ambeno on the western half of the island of Timor. The rally was attended by around 11,000 FRETILIN supporters who shouted “Viva Fretilin! Viva Lu’Olo! and Viva Alkatiri!” (Long live Fretilin, Long live Lu’Olo and Long live Alkatiri) when the Fretilin delegation arrived. The total population of the district of Oecussi-Ambeno is slightly less than 60,000 people.

The rally eclipsed the Baucau rally held on 27 January 2007 as Timor Leste’s biggest public meeting since Fretilin supporters staged a counter-demonstration against coup plotters in Dili in June last year.

The rally was the first held by Fretilin since party president and guerilla fighter turned politician, Francisco “Lu’Olo” Guterres, announced that he would stand in elections for President of the Republic to be held in April.

Speaking on his return to Dili, Lu’Olo said (English translation from Tetum) “The rally was a success and demonstrates the great support that Fretilin has in Oecussi. We must never forget the people of Oecussi who suffered so much, as we all did, during the struggle for independence and who have always wanted to be a part of an independent Timor-Leste despite their isolation”. Lu’Olo added that the huge turn out at Oecussi gave him confidence that he made the right decision in standing for President of the Republic.

Lu’Olo, having spent the entire 24 years of the independence struggle in the mountains and whose campaign slogan is “I shall be the President of all and a President for all”, stated that “as President I will work tirelessly to strengthen the country’s political and economic independence. To do this we must strengthen the country’s institutions, particularly that of the judiciary and also focus on economic development at the grassroots level so that our people can be alleviated from abject poverty”. Lu’Olo said that as President “I will promote the interests of youth and equality for women; I will work to protect the elderly and the most vulnerable communities; and I will promote housing, health care and pensions for veterans of the independence struggle”.

Lu’Olo wished all the other prospective candidates the best of luck and was confident that the presidential elections would be peaceful despite the latest spike in violence which has resulted in the death of two Timorese nationals who were shot by Australian soldiers. A joint investigation is being conducted by the UN, the Australian army and the East Timorese government to ascertain the facts and circumstances that led to the death of the two Timorese nationals.

The presidential elections will take place on 9 April 2007, with several prominent East Timorese politicians, including current Prime Minister Jose Ramos Horta, having announced their intention to contest the election. Under the Constitution, each prospective candidate will need to obtain the support of at least 5000 voters to be eligible to stand in the election.

An English translation of Lu’Olo’s announcement of his candidacy for President of the Republic, and also a short biography are available from www.timortruth.com.

(a soft copy of the article with pictures is avaialble from www.timortruth.com/press/FRETILIN_Oecussi_Rally_260207.pdf)

As armas roubadas ontem por Reinado

Confirmado que foram roubadas 18 armas automáticas, tipos HK33 e FN-C, dos postos fronteiriços de Salele (Suai) e Tunubibi (Maliana).

Timor Leste seeks RI help in capturing rebels

Abdul Khalik, The Jakarta Post, Jakarta

Timor Leste Prime Minister Jose Ramos-Horta called President Susilo Bambang Yudhoyono Sunday evening to ask for Indonesia's assistance in capturing members of a rebel group led by Lt. Col. Alfredo Reinado should they attempt to sneak into Indonesian territory.

Presidential spokesman Dino Patti Djalal said Ramos-Horta conveyed to President Yudhoyono through him that Reinado, who was alleged to have attacked a military post in Timor Leste and stolen 17 AK-typed rifles, was a grave concern for the Timor Leste government.

"Prime Minister Ramos-Horta has requested TNI (Indonesian military) at the border to ensure that Reinado does not cross it. We have temporarily closed our border upon this request," Dino told The Jakarta Post.

He said the Indonesian government and military would provide the requested assistance because of a longstanding bilateral understanding that Indonesia would assist Timor Leste in security matters along their border.

"The commanders from both sides already have mechanisms of cooperation along the border," Dino said.

Reinado, a former military police chief, was blamed for violence that struck the country in April and May last year. An estimated 100,000 people were displaced and at least 20 killed in the violence, which led to the deployment of a 2,500-strong international peacekeeping force.

Dili witnessed a series of protests that evolved into widespread violence in May after 600 members of the country's 1,400-strong army were sacked. The violence stemmed from divisions between troops from the east and those from the west of the country, which was part of Indonesia from 1976 until an independence referendum in 1999.

In late May, Reinado led a group of fellow military police members into the mountains behind Dili. The group refused to give up their weapons until the then prime minister, Mari Alkatiri, resigned from office.

He was later imprisoned in Dili's Becora jail on charges of attempted murder and violations of firearms laws after being arrested with 20 other men in July last year over their role in the violence that erupted in and around Dili in April and May.

In August last year, together with over 50 inmates, the rebel leader escaped from prison.

Dino said the Timor Leste government had tried its best to show lenience toward Reinado.

"With the assistance of the Australian and UN forces, the Timor Leste government will conduct security operations to find Reinado," he said.

Dos leitores

Comentário sobre a sua postagem "A "voz" dos amigos de Ramos-Horta já se ouve...":

É curioso como a imprensa de língua inglesa não refere que Ramos Horta passou os 24 anos da ocupação no estrangeiro, tal como repetiram até à exaustão relativamente a Alkatiri...

Crónica de uma morte anunciada?...

Aguarda-se uma declaração do Presidente Xanana, "muito dura" relativamente ao incidente das armas roubadas por Alfredo Reinado ontem.

Tudo se prepara para que Alfredo Reinado seja silenciado?

É pena. Teria muito a dizer.

A ver vamos...

Jacarta encerra a sua fronteira com Timor-Leste

Jacarta, 26 Fev (Lusa) - A Indonésia anunciou hoje o encerramento da sua fronteira com Timor-Leste a pedido de Díli com o objectivo de impedir os rebeldes timorenses de se infiltrarem na Indonésia.

O presidente indonésio Susilo Bambang Yudhoyono ordenou o encerramento da fronteira a pedido do primeiro-ministro timorense José Ramos-Horta, indicou o porta-voz do presidente, Dino Patti Djalal.

Ramos-Horta pretende assim impedir as milícias armadas comandadas pelo líder rebelde Alfredo Reinado de chegar à Indonésia, acrescentou a mesma fonte.

Reinado, que chefia um grupo de soldados desertores, é acusado de ter espoletado confrontos que provocaram 21 mortos durante o mês de Maio de 2005, suscitando o destacamento de uma força internacional de restabelecimento da paz.

O chefe rebelde foi detido em Agosto, mas conseguiu escapar da prisão.

Timor-Leste deve eleger o seu novo presidente a 09 de Abril, mas os receios de novos confrontos subsistem.

As milícias atacaram recentemente os postos de controlo junto à fronteira, resgatando 17 armas de fogo, indicou Ramos-Horta.

LMP-Lusa/fim

Alfredo Reinado em Same

Hoje, Alfredo Reinado já se encontra em Same, sendo este facto do conhecimento da UN e da ISF.

Alfredo Reinado utilizou a estrada para se deslocar para Same.

Ontem, pelo menos, o grupo de Alfredo Reinado roubou em Maliana, Tunubibi, 17 armas automáticas e 3 no Suai, em Salele. As armas roubadas são pistolas metralhadoras HK33.

As armas roubadas da Polícia de Fronteira sao idênticas às da fotografia que mostramos aqui:



Segundo Alfredo Reinado, as armas foram entregues "pacificamente". Pacificamente, com a ameaca de 15 homens armados, que entraram de surpresa no posto a exigir comida e armas.

Em Salele os elementos da Polícia de Fronteira conseguiram fugir...

Muito pacífico...

Dos leitores

Comentário sobre a sua postagem "Grupo de major Reinado assalta posto polícia em Ma...":

Isto é o resultado dos "acordos" com Longuinhos Monteiro e outros paninhos quentes. Apesar de inevitável, a captura de Reinado tem sido sucessivamente adiada sem se saber porquê. A falta de iniciativa teve como consequência este assalto, que podia ter sido pior: graças a Deus, não houve vítimas. Mas agora os foragidos têm mais armas (curiosamente, as "famosas" armas da polícia que serviram de pretexto para demitir Alkatiri e provavelmente vão meter Rogério Lobato na cadeia por andarem nas mãos erradas...), o que representa mais um obstáculo adicional para a sua captura.

Em estratégia, ganha quem tiver a iniciativa. Quem preferir reagir em vez de proagir, como têm feito as ISF e UNPOL, perde vantagem e fica sempre um passo atrás do inimigo. Esperemos que isto não seja apenas o prólogo de uma longa história, atendendo a que só falta um mês e meio para as eleições.

Fugitivos do grupo do Reinado em Oecussi

Dois do que fugiram com Alfredo Reinado de Becora estão em Oecussi. Dário e Mau-Ressi Guterres.

IDPS OF AIRPORTO PRESIDENTE NICOLAU LOBATO

A. Introduction

The current violent incident in IDPS camp of airport president Nicolao Lobato, Dili indicated that the Australian troops have bad intention against the IDPS and the Timorese people. They overreacted by arresting and killing IDPS that have become victims of the political crisis that have been taken place within 8 months in Timor Leste. The Australian troops has captured IDPS of Comoro airport without showing any clearly evidence that those refugees are committing crimes or make violence against their colleague, or even Australian troops.

We demand the Australian troops should take responsibility over those killed and others are being injured when they military action against mass civilians on Friday, 23th February 2007. We condemned their military action, because the Australian troops were using tank and other war equipments to attack and terrorize IDPs. Two tanks assaulted into by hitting the door barricade that still locking then fired tear gas with automatic guns against civilians as if they were in a battle against enemies in the battlefield.

Over all these attitudes as a provocation acts to create instability in Dili and be more dangerously to extend this political crisis into interest of Australian Troops in Timor Leste.

B. Chronology of the Incidents

Exactly on Friday, 23rd February 2007, at 07.40 (Time Timor Leste) the Australian troops were so violently runs after our colleague who was still waiting for transportation to go to school, work and some wanting to hospital. They blockaded until the front of IDPS main door, then Manuel Soares was captured and then laid him down to the ground and bit him by using stick until bleeding.

IDPS was shocked with these attitudes of mal-treatments of Australian troops. There fore, some other IDPS wanted to come and witness their colleagues who were being arrested by Australian troops.

The airport IDPS who became victims in that incident.

Their name as fallows.

1. Manuel do Carmo from District Baucau, Sub-District Laga, violently arrested by the Australian troops in front of the IDPS door, laid him down to the ground, beaten him by using guns and all his body was wounded, and also puling him as animal and they threw him into Australian patrol vehicle.

2. Delfin Sarmento from District Viqueque, sub district Uato-lari he was arrested, but then he escaped and he did not get into Australian vehicle, however the Australian troops pulled his T-shirt out of his body.

3. Julio da Siva and Viriato Soares, from District Viqueque sub district Uato – Lari and Dilor they are both then went back into IDPS camp and spontaneously reacted against the Australian troops that were brutally assaulting into IDPS camp and at the time the Australian. Troops arrested Manuel do Carmo.

This incident got strong reaction from people and came out of the tent, against those attitudes of Australian troops in front of the entrance door.

Australian forces drove two tanks into by hitting IDPS door barricade which still unlocked and fueled the situation. The children, old man and women be suffered of tear-gas and resulted two seriously injured and two others were lightly injured and one got shot dead right away under IDPS tent by the Australian troops.

The troops wanted to hide the dead bodies assuming he was shot outside of the camp so they then pulled out of barbed wire and his hair stickled at the barbed wire. Then the Australian soldiers cover up the dead –body with black plastics and thrown into maize field.

However, many of IDPS were seeing and shouted at them, and then they taken back the dead –body put into Australian military vehicle. Complete name of those who were killed and wounded as follows:

1. Jacinto Soares

From district Viqueque, subdistrict ossu, lia-ruka village got shot to death on the spot by Australian forces under tent of IDPS.

2. Antonio Dasi

From District Baucau, sub-district, wailili village, shot by Australian troops, at his chest and his side of left stomach in IDPS camp, unfortunately, he died in the next day in national hospital Guido Valadares at 11.20 on Saturday 23 Th February 2007.

3. Geraldo Guteres

From district Baucau, sub-district venilale, Uai-Oli village, shot at both of his knees and all broken.

4. Cris Lopes

From district Lospalos, shot at his log with heavy injured.

5. Julio da Silva

From district viqueque, sub-district Uato-Lari, shot at his thigh –with heavyly injured

C. Demands

This is not the first Australian brutal attitude against IDPs. They have carried out a systematic efforts and systematic discrimination against Timorese people.

Due to the above facts of all IDPS of Presidente Nicolau Lobato demanded strongly and urge to the government of RDTL , UNMIT and international forces in Timor Leste to take necessary measures based on international law prevails over the world against the forces as follows ;

1. Immediate withdrawal of Australian troops out of Timor Leste.

2. Request the sovereignty state of RDTL to take on immediately measures to pull out the Australian forces from Timor Leste.

3. Requested the sovereignty state of representative UN security in Timor Leste, attention for responsibility to the problem, because he is dead in UNHCR under canvas.

4. Request the representative of the United Nations forces in Timor Leste to take responsibility on family of victims and bring up actors of the Australian forces to international tribunal.

5. We totally reject the news broadcasted on TVTL, that the information was not based on facts taken place in IDPS Comoro.

6. We totally reject information that Australian forces have been delivering through internews that we shot at them with Ambon-Arrow that was totally false to cover up their bad attitude on us of innocent IDPS.

7. Over these above demands if it is unrealized, thus, we all IDPS will take a strike and action in Dili and particularly in President Nicolau Lobato Airport Comoro Dili.

8. A simpatico appeal to all Timorese to provided necessary support to depend IDPS human dignity.

9. Demand the RDTL government and the UN representative for a closely cooperation to serve Timorese people.

10. We demand the UN forces to take action in Timor Leste with impartial and not to get involve to a group or a political party.

COMITE ORGANAIZ

1. Carlito da Silva.
2. Jose da Costa
3. Ilda Belo
4. Mateus da Costa Belo
5. Domingos R. Guterres
6. Jaime Soares
7. Serafim Albuquequer Belo
8. Denis Quintão
9. Diamantino da Cruz
10. Jose Pinto
11. Nuno Sares
( KORKA )
12. Vicente Da Silva
PSHT
13. Agustinho Da Silva
77
14. Afonso Pinto
MELATO
15. Alberto Costa
PANTAI KELAPA
16. Salvador A Gomes
IDPS FAROL
17. Julion Guterres
IDPS AEROPORTO DILI
18. Kiliberio Dos Santos
IDPS OBRIGADO BARAK
19. Rosito
IDPS HOSPITAL BIDAU
20 Luis Dos Santos Belo
IDPS SIONAL
21. Sebastion Zeca Ximenes
ALDEIA MORIS FOUN
22. Sergio da Silva Reis
ESTUDANTE

CC
1. Presidente RDTL
2. Presisdente Parlamento
3. Premeiro Ministro RDTL
4. Tribunal Recurso
5. Representative UNMIT.
6. Ambassador Australia
7. Diocese Dili ho Baucau
8. Ministry of security
9. Ministry Interior
10. Ministerio Transport and Telecomunication.
11. and exetra

Demands CC to

1 To Ministry Negotiation Estrange Rio and Cooperation RDTL.
2 To International Humang Right.
3 To International Human Right in Geneva, which
represent in Timor Leste
4 To .President Provedor Direitos Humanus RDTL.
5 To ATUL KHARE Responsible UNMIT in Timor - Leste

Comício da FRETILIN em Oecussi - VII







Comício da FRETILIN em Oecussi - VI


Comício da FRETILIN em Oecussi - V









Comício da FRETILIN em Oecussi - IV









Comício da FRETILIN em Oecussi - III









Comício da FRETILIN em Oecussi - II









Comício da FRETILIN em Oecussi - I

Realizou-se um comício da FRETILIN em Oecussi este Sábado, com Mari Alkatiri e o candidato às presidenciais Francisco Lu'Olo.

Já que não há uma linha escrita nos sítios do costume aqui ficam as fotografias... que valem por mil palavras ocas.





























A "voz" dos amigos de Ramos-Horta já se ouve...


Voice of America - 25 February 2007

Jose Ramos-Horta to Run for East Timor Presidency
By Chad Bouchard, Jakarta

Prime Minister Jose Ramos-Horta has announced he will run in East Timor's April presidential election. As Chad Bouchard reports for VOA from Jakarta, the Noble Peace Prize laureate is expected to have to contend with intense political opposition during the race.

Jose Ramos-Horta told a rally of cheering supporters in his hometown, Laga, on Sunday that he will seek the presidency. (cerca de 500...)

He said he made his decision after weeks of refection and promised to unveil a clear and transparent campaign platform based on reconciliation and help for the poor.

Mr. Ramos-Horta is a popular figure - winning a Nobel Peace Prize in 1996 for his decades long struggle against Indonesian rule. The tiny country became independent in 2002 - but has struggled economically and with recent violence.

Mr. Ramos-Horta was called upon to serve as prime minister in July to stabilize the nation after a mishandled military mutiny sparked months of deadly gang warfare, and revealed long simmering divisions between those who supported and opposed independence.

An Australian-led peacekeeping force of more than 2,500 troops is maintaining relative calm, but sporadic clashes in the capital city, Dili, have claimed dozen of lives over the past few months.

Former prime minister, Mari Alkatiri - who was blamed but legally cleared of charges that he caused last year's unrest - will be a force in the April 9 presidential race. Mr. Alkatiri heads Fretilin - East Timor's dominant political party.

Political analyst Robert Lowry, a former Australian military attaché in Indonesia, says Mr. Ramos-Horta faces fierce opposition from Fretilin. (que cv...)

"Well, you know, Fretilin is very intolerant of opposition parties," Lowry says. "And so you can expect, no matter who is running it, you could expect at least a low level of violence to intimidate the other parties and ensure they don't win. " (propaganda suja... até agora os militantes da FRETILIN foram os únicos que foram atacados...)

Mr. Ramos-Horta - who has also served as defense and foreign minister - had longs ties to Fretilin, the main independence organization. But he and current President Xanana Gusmao - the former rebel leader - have followed more non-partisan policies since coming to office. (importa-se de repetir?)

Mr. Ramos-Horta is expected to formally announce his candidacy on Monday and will campaign against eight other candidates.

sem mais comentários...

Ramos-Horta em Laga, crónica de um anúncio anunciado

Pedro Rosa Mendes, da Agência Lusa Laga, Timor-Leste, 25 Fev (Lusa) - Os habitantes de Laga, 150 quilómetros a Leste de Díli, costumam justificar o calor que normalmente faz na sua aldeia informando o visitante de que neste sítio se localiza "o segundo Purgatório".

Talvez fique, acreditando que o primeiro existe. Facto à margem da fé é que foi numa fornalha de sol, azulado de pele sob um toldo das Nações Unidas e com a imagem de Cristo estampada ao peito, que José Ramos-Horta lançou hoje a sua candidatura às eleições presidenciais de 09 de Abril.

Foi um anúncio formal e oficial: "Hoje, aqui, nesta terra de Laga, digo a todo o povo de Timor-Leste, lorosae e loromonu, tasifetu e tasimane, e ao resto do mundo, a minha candidatura a Presidente da República".

José Ramos-Horta referia-se aos quatro nomes cardeais da geografia timorense. Lorosae, o Leste e o seu povo; loromonu, o povo do Oeste do país; tasifetu, literalmente "o mar mulher", na costa Norte; tasimane, "o mar homem", da bravia costa Sul.

Estas categorias, sobretudo a suposta divisão ou inimizade entre lorosaes e loromonus, têm sido o pretexto e o contexto de violência e tensão em Timor-Leste desde o início de 2006.

Foi contra uma alegada discriminação étnica que cerca de seiscentos militares das Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL) assinaram em Janeiro de 2006 uma petição ao Presidente da República, Xanana Gusmão, e às chefias militares, pondo em marcha a engrenagem de uma crise que rebentou no final de Abri l.

O candidato José Ramos-Horta deixou em Laga uma mensagem clara sobre isto: "Timor ida deit", em tétum, Timor é um ou uno, repetiu o primeiro-ministro e m várias ocasiões do seu longo improviso (seguiu, mas não leu, o discurso de várias páginas que escrevera antes do fim-de-semana).

"Conheço esta terra amada de uma ponta à outra, de Tutuala a Oécussi", isto é, da praia mais a Leste até ao enclave dentro da metade indonésia da ilha.

"Ajudei a fazer o diálogo em vários sítios de conflito", recordou José Ramos-Horta.

O comício de lançamento de Ramos-Horta à Presidência foi longo e organizado, respeitando o protocolo lido, à chegada, por um mestre de cerimónias.

Foi folclórico, com dançarinos tradicionais que receberam a comitiva com tambores.

Foi solene, porque o comandante Cornélio da Gama "L7" pediu, durante cerca de quinze segundos, um minuto de silêncio pelos heróis caídos pela pátria.

Foi inflamado, quando desfilaram ao microfone militantes de diferentes distritos do país.
Foi político, com as explicações do candidato sobre o que o preocupa e o motiva: o combate à pobreza.

Foi descontraído, pois José Ramos-Horta aconselhou as várias centenas de pessoas presentes no comício a "aproveitar" tudo o que os candidatos dão ao povo durante a campanha.

"Em 1999, o povo recebeu dinheiro, bicicletas, t-shirts vermelhas e brancas", as cores nacionais da Indonésia, "perdeu sangue, e depois votou pela independência", recordou José Ramos-Horta.

"Digo a esse povo analfabeto, pé-descalço: recebam todas as camisolas, vão às festas todas, onde se mata o búfalo e se come arroz, como eu hoje vos dou do meu búfalo", desafiou o candidato.

"Se depois votarem noutro, eu direi que esses malandros me enganaram. Mas serão malandros inteligentes que merecerão o meu respeito", concluiu o primeiro-ministro, sublinhando, perante a multidão sorridente, que respeitará o resultado das eleições.

O anfitrião do comício de José Ramos-Horta foi o veterano Cornélio da Gama "L7", que vive em Laga mesmo junto ao recinto onde decorreu o anúncio da candidatura.

"L7" é o líder do UNDERTIM, Unidade Nacional Democrática da Resistência Timorense, e a sua marca ficou na cerimónia de hoje, onde a palavra de ordem de abertura foi: "Resistir é vencer, a luta continua. Resistir sim, render nunca!".

A notícia da candidatura precedeu o anúncio em três dias. O primeiro-ministro timorense, sem que fosse essa a sua intenção, revelou os seus planos quinta-feira à tarde, em entrevista à Aljazzeera. O "scoop" foi difundido nessa noite, hora de Díli, "14h00, Hora de Meca".

A difusão global da notícia não estragou a festa em Laga. José Ramos-Horta subiu de véspera a Baucau (a 20 quilómetros de Laga), "como cidadão, em viatura particular e pagando todas as despesas", conforme frisou à Lusa numa entrevista que antecedeu o jantar com o bispo D. Basílio do Nascimento.

"Não devo grandes favores a nenhum partido", respondeu o primeiro-ministro sobre a aparente leveza de disposição no momento de entrar na corrida presidencial. "A minha candidatura é, em primeiro lugar, um dever de consciência", afirmou.

Lusa/Fim

NOTA DE RODAPÉ:

Vamos ver quantas vezes durante a campanha vai vestir a T-Shirt com o Che Guevara... Ou será que essa agora fica na gaveta?...

A PNTL em Maliana está sozinha ou quantos UNPOL estão lá?...

Polícia tenta capturar major Alfredo Reinado

Diário Digital / Lusa
25-02-2007 15:01:00

Forças policiais e militares internacionais estão envolvidas numa operação para capturar o major Alfredo Reinado, que assaltou hoje um posto da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL), disseram à Lusa fontes da ONU em Díli.

O assalto ao posto policial de «Junction Point Charlie», em Tonubibi, Maliana (cerca de 150 quilómetros a sudoeste de Díli, próximo da fronteira com a Indonésia), ocorreu cerca do meio-dia (hora local), quando um grupo de nove homens «fortemente armados e no qual está incluído o major Reinado» entrou no posto da PNTL, afirmou à Lusa a porta-voz Polícia das Nações Unidas (UNPol), comissária Mónica Rodrigues.

Está neste momento em curso uma operação no Sudoeste do país para capturar o major fugitivo e o seu grupo, envolvendo efectivos da UNPol.

Outra fonte das Nações Unidas confirmou à Lusa que as Forças de Estabilização Internacionais (ISF), constituída por militares australianos e neozelandeses, lançaram também uma resposta ao assalto de hoje, sem detalhar se se trata de uma operação independente ou em coordenação com a UNPol.

O grupo de Alfredo Reinado levou todas as armas dos oito elementos da PNTL que estavam de serviço na altura, além das armas guardadas nas instalações, num total de dezassete pistolas HK-33, adiantou a porta-voz da UNPol.

«Não houve confronto nem resistência» durante o assalto, indicou a comissária Mónica Rodrigues, não só porque o ataque «foi inesperado» como devido ao armamento exibido pelo grupo de Reinado.

O major, segundo contaram à UNPol elementos da PNTL, «levou as armas dizendo que precisa delas para defender o país», acrescentou a porta-voz.

Alfredo Reinado, ex-comandante da Polícia Militar timorense, protagonizou alguns dos episódios mais violentos da crise política e militar de Abril e Maio de 2006.

Em Julho, foi detido em Díli na posse de material de guerra, mas desde 30 de Agosto que está em fuga com um grupo de cerca de meia centena de homens armados, depois de ter escapado da prisão de Becora em Díli.

Em entrevista à Lusa sábado, o primeiro-ministro timorense, José Ramos-Horta, revelou que há três semanas, Alfredo Reinado assinou um «acordo explícito» com o Procurador-Geral da República, Longuinhos Monteiro, para responder pela troca de tiros a 23 de Maio em Fatuhada, durante qual alegadamente matou um membro das Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste.

Major Reinado assaltou posto polícia, operação de captura em curso

Díli, 25 Fev (Lusa) - Forças policiais e militares internacionais estão envolvidas numa operação para capturar o major Alfredo Reinado, que assaltou hoje um posto da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL), disseram à Lusa fontes da ONU em Díli.

Ex-PM lauds his exit as a 'public service'

The Japan Times
Sunday, Feb. 25, 2007

A TOP MAN TALKS

By JEFF KINGSTON
Special to The Japan Times

The ousted prime minister welcomed me to his spacious compound where I met his son and daughter, both home from studying overseas, and his muddy, wriggling puppies that quickly Pollacked my best chinos.

Former Prime Minister Mari Alkatiri

The media image of Mari Alkatiri is of an unsmiling, severe and aloof man; this is far better than what most ordinary people say about him. In person, he is urbane, articulate and informal. He disarmingly opened our conversation by saying that I must have heard rumors about corruption, squirrelly oil deals, arming hit squads and the like. But it was not the time for a confession.

Alkatiri views his June 2006 resignation as a public service of sorts, saying his restraint in face of an "unconstitutional coup aimed at destroying Fretelin [the Revolutionary Front for an Independent East Timor] and me" averted further violence. He spoke of an Australian- orchestrated media conspiracy to discredit him and spread false allegations. He suggests that his forceful negotiating position over the division of energy revenues with Australia may have soured Canberra toward him.

Alkatiri blames the Catholic Church for fomenting protests against him, in part because he is a Muslim of Yemeni origins. He says the Church was angry about his 2005 decision to end the obligatory teaching of religion at state schools.

According to Alkatiri, his opponents are not strong enough to defeat Fretelin at the polls, so they are manipulating the Church, veterans' groups and foreign pressure while stirring up violence on the streets. He denies all the allegations against him, but blames himself for "not smiling more" -- and not more effectively countering the "disinformation."

By leaving office he feels he exposed the conspiracy and gained public sympathy. He says, "If I decided to act I would have prevailed, but it would have meant more bloodshed and everyone would have blamed me. I resigned so everyone can see for themselves who's who and what's what."

Regarding his public feud with the charismatic and popular President Xanana Gusmao, Alkatiri says that he has refrained from responding to the president's numerous attacks against Fretelin and himself, because he did not want to spark further violence.

He wonders, however, if Gusmao still thinks he made the right choice in forcing him from power by threatening to resign. In his view, the crisis has ended in defeat for the president, whose reputation has suffered. While admitting he may not have handled the military crisis well, Alkatiri points out that in any country mutineers are dealt with harshly. He says, "Xanana always favors tolerance and negotiations, but such an approach has limits."

In reflecting on the events of 2006, he spoke of "the collective failures of the leadership," and said that the "artificial crisis of east and west" has set the country back several years in developing democratic institutions, human rights and the rule of law.

Early in February, Alkatiri was cleared of allegations that he was involved in a transfer of weapons to a hit squad. Prior to that, when I asked him about his legal problems, he said, "I am fully aware I will win." Echoing the consensus view, he observed without irony, "The justice system is the weakest part of our government institutions."

In his view, the greatest threat to human rights is poverty, and addressing that should be the government's priority. The influx of energy-export revenues, and the creation of a Timor Sea Fund to earmark money for future generations, makes him optimistic about prospects in East Timor.

Regarding Japan, Alkatiri expressed thanks for their generous assistance but said, "They are not easy to work with. They have their own ideas and program and it is difficult to negotiate with them. They have been very supportive of infrastructure, power and health projects, but these are always expensive."

Looking forward, he said, "Xanana and I have to work together to create the conditions for peaceful elections. Both need to recognize our mistakes. I have kept a low profile and have not been critical of Xanana because I want to calm things down and have asked Fretelin for tolerance."

Confessing that it would be hard to resist pressures from within his party, Fretelin, to run for re-election, he signaled his readiness, "For my own dignity and vindication."

Grupo de major Reinado assalta posto polícia em Maliana

Díli, 25 Fev (Lusa) - O posto da polícia de fronteira de Maliana, sudoeste de Timor-Leste, foi assaltado hoje por um grupo de homens liderado pelo major Alfredo Reinado, disse à agência Lusa fonte que está a investigar o incidente.
Os assaltantes levaram do posto policial pelo menos 17 armas, segundo a mesma fonte.

Desconhece-se se do incidente resultaram mortos ou feridos.

O major Reinado, antigo comandante da Polícia Militar timorense, foi figura relevante da crise político-militar de Abril e Maio de 2006 em Timor-Leste.

Em 30 de Agosto do ano passado, fugiu da prisão de Becora, em Díli, onde estava detido por posse ilegal de material de guerra.

Há três semanas, o Procurador-Geral da República, Longuinhos Monteiro, e Alfredo Reinado assinaram em Gleno um "acordo explícito" para resolver a situação do militar, segundo revelou sábado à Lusa o primeiro-ministro timorense, José Ramos Horta.

"Houve uma acordo explícito, assinado pelos dois, em que Reinado pela primeira vez se compromete a ser ouvido no caso das armas" entregues a civis, disse na altura Ramos Horta.

Ainda de acordo com o primeiro-ministro, Alfredo Reinado comprometeu-se também "a comparecer perante a Justiça no caso da troca de tiros a 23 de Maio de 2006, na qual, alegadamente, pelo menos um membro das F-FDTL [Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste] foi morto por ele".

"Espero que o acordo possa ter uma conclusão lógica com a vinda a Díli de Reinado", acrescentou Ramos Horta na entrevista que concedeu sábado à Lusa.

PRM-Lusa/Fim


NOTA DE RODAPÉ:

E onde estava a escolta militar australiana? Em algum campo de deslocados?..

Ou... upss... vão dizer que o perderam? Mais de 800 militares equipados com a última tecnologia, helicópteros, etc?..

Ximenes Belo atento à situação actual do país

Arouca, Aveiro, 25 Fev (Lusa) - O administrador apostólico emérito de Díli, D. Ximenes Belo, disse sábado estar atento à situação actual de Timor, mas evitou falar das eleições presidenciais agendadas para 09 de Abril próximo.

"Não estou alheio aos problemas de Timor. Acompanho, rezo pelo meu país", afirmou numa palestra dirigida a jovens em Arouca, no norte do distrito de Aveiro.

Adiantou que se deslocou "há alguns meses" àquele país "para tentar conciliar as posições dos partidos políticos timorenses".

"A luta continua em Timor, agora não no mato, mas na acção do povo, que tem de tomar o destino do país nas suas próprias mãos", disse Ximenes Belo.

Durante a conferência referiu ainda que está a aproveitar a estada em Portugal para "escrever um livro sobre a história da Igreja em Timor-Leste".

O Nobel da Paz em 1996 encerra hoje uma visita de dois dias ao concelho de Arouca, celebrando uma missa às 11:15 horas, seguindo-se a inauguração de um busto de S. João Bosco, fundador da congregação dos Salesianos, a que Ximenes Belo pertence.

EYD-Lusa/Fim

O candidato a Presidente de todos os australianos e de todos os americanos?...

Público – 25 de Fevereiro de 2007

Primeiro-ministro considera essencial o diálogo
Ramos-Horta confirma que quer suceder a Xanana

Jorge Heitor

“Sei que tenho condições e capacidades para assumir o cargo de Presidente da República.” Foi com estas palavras que o primeiro-ministro de Timor-Leste, José Ramos-Horta, se disponibilizou hoje de manhã (madrugada em Lisboa) para concorrer à chefia do Estado, numas eleições com primeira volta marcada para 9 de Abril.

A intenção já tinha sido antecipada há dois dias pela televisão Al-Jazira, do Qatar. Chegou agora a confirmação, num discurso em Timor. “Anuncio publicamente, aqui em Laga [150 quilómetros a leste de Díli, em Baucau], a minha decisão de me candidatar à Presidência, para suceder a Xanana Gusmão, herói do nosso povo, que resgatou das grandes derrotas de 1977-79 e conduziu com extraordinária visão até à nossa libertação”, disse o chefe do Governo.

“Foram semanas de reflexão e de muita hesitação. Reflecti sobre a honrosa mas muita penosa missão de me candidatar a chefe de Estado”, prosseguiu o homem que em 1996 partilhou o Nobel da Paz com o então bispo católico de Díli, Carlos Filipe Ximenes Belo.

Segundo o jornal "Sydney Morning Herald", os planos de Horta assentam num pacto com Xanana para procurarem mudar de cargo e diminuir o peso político da Fretilin, partido maioritário. O Presidente “deve assumir um papel de interligação e harmonização entre as diversas instituições do Estado, permitindo uma actuação coordenada e, portanto, mais eficiente dos diversos órgãos de decisão”, declarou Ramos-Horta num discurso de sete páginas, durante o qual lembrou ter liderado “o processo de estabelecimento de relações diplomáticas com cerca de 100 países”.

“O diálogo entre instituições é essencial e pretendo fomentá-lo. Um país no qual as diversas instituições se encontrem de costas voltadas não pode crescer”, defendeu o primeiro-ministro. “Como candidato, durante o período da campanha afastar-me-ei do Governo. Não uso, não usarei meios do Estado para a minha campanha. (...) Convido o inspector-geral do Estado, os partidos e outras instituições a monitorizar as minhas actividades”.

Pacto com o Presidente

Ramos-Horta reconheceu que o Governo que chefia é da Fretilin (Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente), cujo líder, Francisco Guterres (Lu-Olo), actual presidente do Parlamento, se apresentou há cinco dias como candidato do partido à liderança da nação, no que parece ser o mais forte despique destas eleições.

Sexta-feira, o primeiro-ministro reconhecera, em declarações prestadas ao PÚBLICO, que a Austrália e os Estados Unidos foram dos países que mais o encorajaram a candidatar-se a Presidente da República. Entretanto, Xanana declarara a figura da oposição, em Díli, segundo o "Sydney Morning Herald", que tenciona formar o seu próprio partido e ir às legislativas, que só serão marcadas depois de terminadas as presidenciais.

De acordo com o jornal australiano, Ramos-Horta e Xanana Gusmão “vão tentar convencer o eleitorado de que, como Presidente e primeiro-ministro, oferecem ao país a melhor oportunidade de ultrapassar as divisões e garantir a estabilidade política, depois do caos e da violência do ano passado”.

Ainda ontem, um segundo jovem morreu depois de, na véspera, ter sido alvejado a tiro num confronto com soldados australianos, na capital.

Ramos-Horta no seu melhor... (Intervalo para o humor)

"Não sou candidato de oposição à Fretilin" - Ramos Horta

Por Pedro Rosa Mendes, da Agência Lusa Baucau, 24 Fev (Lusa) - O primeiro-ministro timorense José Ramos Horta afirmou hoje à agência Lusa que a sua candidatura às eleições presidenciais não é contra a Fretilin.

"Não sou candidato de oposição à Fretilin", afirmou o primeiro-ministro à Lusa na sua primeira entrevista enquanto candidato à presidência.

Ramos Horta lança oficialmente domingo a sua candidatura em Laga, uma aldeia dos arredores de Baucau onde cresceu e viveu entre os 11 e os 17 anos de idade. Outra das razões porque decidiu apresentar a sua candidatura em Laga prende-se com o facto de ser uma das regiões mais pobres do país.

"É uma candidatura de milhares de timorenses que vêm de muitos partidos, incluindo da Fretilin. Não faço oposição a Fretilin, nunca o fiz e nunca o irei fazer", adiantou.

"Estas eleições deste ano são mais personalizadas porque a comunidade internacional assim como o povo timorense estão muito mais elucidados sobre quem é quem".

O povo, segundo Ramos Horta, são pessoas sabem "que, afinal, o país avança ou recua conforme a qualidade de líderes que tem".

Ramos Horta disse que em 2001 nas eleições para a constituinte, ganhas pela Fretilin, "os timorenses votaram em partidos, em bandeiras e não em caras". Agora, concluiu, "já estão atentos e vão escrutinar um por um os nomes das listas de cada partido".

José Ramos Horta considera-se um candidato livre e independente nas eleições presidenciais. "Felizmente não devo grandes favores a nenhum partido politico. Não estou comprometido com ninguém, apenas com este povo".

Em entrevista à Lusa, o primeiro-ministro timorense disse ainda que decidiu candidatar-se quando regressou de nova Iorque há uma semana. "Quando cheguei a Dili fui informado que uma comissão informal já tinha recolhido alguns milhares de assinaturas, sem a minha luz verde". José Ramos horta referiu a título de exemplo que "só em Baucau num dia recolheram mil assinaturas quando bastavam 100".

O primeiro-ministro sublinha que é um candidato reticente às eleições de 0 9 de Abril e "não é por recear a campanha e o possível desfecho negativo, pelo contrário". Diz Ramos Horta: "Devo ser o único líder do mundo em campanha eleitoral desejando vir a ser rejeitado".

José Ramos Horta explica que, no caso de não ser eleito, ficará "de consciência tranquila" uma vez que a sua candidatura "é em primeiro lugar uma questão de consciência".

E afirma: "Se eu não me candidatasse seria severamente crítica do por muitos timorenses e amigos internacionais na indonésia, na comissão europeia, em Washington, no conselho de segurança e na Austrália".

Frisando que tem vários apoios internacionais José Ramos Horta considera que os dois governos constitucionais de Timor-Leste "beneficiaram de apoios através dos seus contactos pessoais".

Em relação as condições de segurança para a campanha eleitoral, Ramos Horta confirmou à Lusa que a existência de um acordo entre o procurador-geral da República, Longuinhos Monteiro, e o major Alfredo Reinado.

O militar, principal rosto da crítica político-militar de 2006 fugiu de um a prisão em Díli a 30 de Agosto. Segundo revelou o primeiro-ministro, o procurador Longuinhos Monteiro esteve com o Major Reinado há três semanas em Gleno. "Houve um acordo explícito, assinado pelos dois, em que Reinado pela primeira vez se compromete a ser ouvido no caso das armas" entregues a civis. Alfredo Reinado ter-se-á comprometido também "a comparecer perante a Justiça no caso da troca de tiros a 23 de Maio de 2006, na qual, alegadamente, pelo menos um membro das F-FD TL foi morto por ele".

Quanto a Xanana Gusmão, José Ramos Horta insiste que o falado novo partido inspirado pelo presidente da República de Timor-Leste continua, para ele, um "mistério". O primeiro-ministro salienta, no entanto, que Xanana Gusmão poderá ter um futuro político depois de abandonar a chefia do Estado. "Ele é novo, com muito dinamismo e é um homem bom. Não há nenhum político que seja tão respeitado como ele", disse.

Lusa/fim

NOTA:

1. Não ouvimos nenhum dos "amigos" internacionais a manifestar qualquer apoio a Ramos-Horta, se bem que até possamos acreditar nas palavras de Ramos-Horta quanto a alguns.

E a ouvirmos algum "amigo" internacional, Ramos-Horta corre o perigo de ser o candidato a Presidente, não de todos os timorenses, mas de todos os australianos, indonésios e americanos, em Timor-Leste!

2. Quanto a ser o candidato que quer ser rejeitado... morreríamos a rir, se não fosse tão patético.

3. As assinaturas sem o seu consentimento?! (1000 em Baucau! Quando apenas apareceram, contra as suas expectativas, 400 ou 500 pessoas no lançamento da candidatura em Laga, a poucos kms de Baucau...).

4. Quanto a ser um "mistério" o novo partido de Xanana... haverá alguém com quem Ramos-Horta fala no último mês, que não mencione imediatamente o novo partido de Xanana chamado CNRT?

Segundo timorense morre devido incidente 6/feira no aeroporto

Díli, 24 Fev (Lusa) - Um segundo timorense morreu sexta-feira após ter sido atingido no peito por um soldado australiano durante um incidente junto ao aeroporto de Díli, disse hoje fonte hospitalar.

Atoy Dasy morreu devido à perda de sangue após ter sido operado ao peito, indicou Américo dos Santos, responsável pela Unidade de Emergência do Hospital Nacional de Díli.

O governo australiano disse que o soldado disparou a sua arma em legítima defesa, após ter sido atacado por um grupo de homens que atiravam setas metálicas.

Na altura do incidente com as Forças de Estabilização Internacional (ISF) no aeroporto de Díli um timorense foi atingido na cabeça e morreu pouco depois e dois outros ficaram gravemente feridos.

O comandante das ISF em Timor-Leste, brigadeiro Mal Rerden, afirmou no mesmo dia que "não houve fogo indiscriminado" no campo de deslocados do aeroporto de Díli, versão contestada pelos refugiados ali instalados.

Cerca das 09:00 locais (zero horas em Lisboa) de sexta-feira, "as ISF responderam a distúrbios" junto ao aeroporto e abriram fogo sobre civis timorenses, disse.

"Apenas dois soldados dispararam" durante a operação, declarou o brigadeiro Mal Rerden, das Forças de Defesa Australianas e comandante dos efectivos australianos e neozelandeses que integram as ISF, insistindo que "isso prova" que os "soldados mostraram grande contenção".

Os deslocados do campo do aeroporto contam uma versão bastante diferente dos acontecimentos e acusam as ISF de terem iniciado os confrontos.

O incidente aconteceu horas depois do Conselho de Segurança da ONU ter aprovado o reforço e prolongamento por um ano da Missão das Nações Unidas em Timor-Leste.

Os australianos foram alertados para estarem atentos a novos ataques após o incidente de sexta-feira, que ocorreu um dia depois de sete oficiais das Nações Unidas terem sido feridos à pedrada por elementos de gangs.

PAL/PRM-Lusa/Fim

Candidatura de Horta encorajada por Austrália, Indonésia e EUA

Público, 24.02.2007,
Por: Adelino Gomes
José Ramos-Horta desvaloriza manifestações de hostilidade, em Díli, contra países de língua portuguesa

O primeiro-ministro timorense, José Ramos-Horta, minimizou o significado e alcance de certas expressões de hostilidade manifestadas publicamente, nos últimos tempos, em Díli, contra representantes dos países de língua portuguesa.

"Os alegados "ressentimentos" em relação a países da CPLP vêm de um pequeno grupo que está mais politicamente relacionado com facções anti-Alkatiri, que acusam os magistrados desses países de serem tendenciosos", disse Ramos-Horta ao PÚBLICO, referindo-se ao arquivamento do processo contra o antigo primeiro-ministro, por alegada distribuição de armas a civis.

O Nobel da Paz argumenta que "também há sentimentos hostis" manifestados por "outros elementos" em relação aos australianos. "Depende de que lado da "trincheira" se está. Não se consegue agradar a todos", concluiu.

Ramos-Horta respondia a um conjunto de perguntas enviadas de Lisboa, por e-mail, antes de ser conhecida a sua decisão de se candidatar à sucessão de Xanana Gusmão, como Presidente da República.

O gabinete de Horta informou que o primeiro-ministro fará amanhã, domingo, na localidade de Laga, um anúncio sobre as próximas presidenciais, sem falar em candidatura. Segundo o próprio Horta disse ontem de manhã, por telefone, à Rádio Renascença, a Al-Jazira transmitiu as suas declarações, previamente gravadas, 48 horas antes do acordado.

"Encorajamentos"

Na resposta ao PÚBLICO, em que continuava a falar apenas em "possível candidatura", o chefe do Governo timorense disse ter recebido "muitas solicitações" para o fazer, "vindas de centenas de timorenses", muitos dos quais "gente simples do povo", bem como "da Igreja, intelectuais, estudantes e, como se sabe, do Presidente Xanana".

Ramos-Horta cita expressamente a Indonésia, Austrália, Alemanha e EUA entre os países "amigos" de quem diz ter recebido igualmente "muito encorajamento" para se candidatar ao lugar de Xanana Gusmão.

Há muitos bairros de Díli que têm estado "completamente tranquilos", alega Horta, quando confrontado com a situação de insegurança que se vive de novo com alguma intensidade na capital timorense. "A situação de segurança conheceu altos e baixos ao longo destas semanas. A violência tem sido quase toda ela de origem criminal e sem uso de armas de fogo. A maioria dos casos traduz-se em apedrejamentos entre grupos rivais e outras vezes indiscriminadamente contra quem passa em certos sítios", diz.

O actual pico de tensão deve-se à escassez do arroz, sustenta. "Mas esta escassez é generalizada em toda a região. Por exemplo o Timor Ocidental [indonésio] ainda tem maiores problemas e o custo do arroz por quilo é três vezes superior. Há certos elementos que fazem sair arroz para o Timor indonésio, onde tem maior lucro", explicou o primeiro-ministro.

Ramos-Horta nega terminantemente que haja fome, hoje, em Timor-Leste. "Estamos a ajudar a população carente e temos muitos outros géneros alimentícios como milho, batata, mandioca, abóbora, frutas, muito gado, etc.", informou.

Notáveis entregam relatório

De regresso a Timor-Leste, José Ramos-Horta recebeu o relatório final da Comissão de Notáveis, criada para investigar acusações de discriminação étnica no seio das Forças Armadas.

Esta discriminação é apontada, geralmente, como causa directa da divisão ocorrida há um ano no exército timorense - as F-FDTL, que foram abandonadas por cerca de um terço dos seus efectivos, expulsos posteriormente das fileiras. Os habitantes da parte ocidental, chamados loromonu, são acusados por alguns de se terem envolvido menos na luta armada do que os da parte oriental, Lorosae, durante os 14 anos de ocupação militar, pela Indonésia, da antiga colónia portuguesa.

Na sequência das acusações, forças militares envolveram-se em Abril/Maio passados em confrontos sangrentos entre si e com as forças da Polícia Nacional, levando à crise que culminou com a demissão de Alkatiri.

Não foram reveladas as conclusões do relatório da comissão, que será agora discutido em Conselho de Estado e em Conselho Superior de Defesa e Segurança, noticiou a Lusa.

Levantando um pouco o véu, o porta-voz da Comissão dos Notáveis, padre António Gonçalves, disse que "as conclusões não culpam especialmente as F-FDTL ou os peticionários, o que quer dizer que houve erros mas também medidas certas de ambas as partes", indica um comunicado governamental.

Ramos-Horta anuncia amanhã, numa localidade fora da capital, a sua candidatura a Presidente de Timor-Leste

Discurso do Dr. José Ramos-Horta por ocasião do anúncio da sua candidatura à Presidência da República de Timor-Leste

Para ser proferido às 10 da manhã em Laga, Sunday, 25 Fevereiro 2007



Minhas senhoras e meus senhores,

Vivi sempre por Timor-Leste e para Timor-Leste. Durante mais de 25 anos divulguei a causa timorense um pouco por todo o mundo. Contei a nossa história, expliquei a nossa identidade, demonstrei que mereciamos ser independentes, ser um país soberano. O povo e a comunidade internacional conhecem-me. Conheço esta bem amada terra, de uma ponta à outra.

Após a idependência, no período de transição, percorri o país ajudando a esclarecer o povo sobre a nova situação e sobre o mandato da UNTAET e procurei mobilizar o povo para participar nos actos eleitorais de 2001 e 2002. Ajudei a fazer o diálogo em muitos pontos do país onde alguns grupos se degladiavam. Fiz a ponte entre as FALINTIL e o Comandante L7. E nunca pensei em candidatar-me para um cargo de poder.

Aceitei o convite que me foi formulado pelo partido vencedor das eleições de 2001 para a pasta de Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação. Este foi o meu pelouro. Ajudei a construir um modesto mas activo Ministério dos Negócios Estrangeiros. Continuei a obra de 24 anos de projecção de Timor-Leste no mundo.

Liderei o processo de estabelecimento de relações diplomáticas com cerca de 100 países. Em conjunto com a minha equipa, consegui que Timor-Leste aderisse à ASEAN Regional Forum, adquirisse a qualidade de observador no Forúm do Pacífico, integrasse o Movimento dos Não-Alinhados.

Consolidámos relações com os nossos vizinhos asiáticos. As relações de Timor-Leste com a Indonésia, os outros países da ASEAN, a Austrália, a Nova Zelândia, o Japão, a China, a República da Coreia, a Índia, estão hoje em base sólida. Continuamos as relações de amizade com muitos países da Europa e com a Comissão Europeia, os EUA, e em especial, os países da CPLP.

Em matéria de política externa fui sempre inspirado pelos melhores interesses do nosso país e pelo sentido do realismo, consolidando relações de amizade já existentes e procurando alargar sempre o leque de relacões independentemente do regime político existente em cada país. Um exemplo disso são as excelentes relações que temos com os EUA e com Cuba, dois países com uma relação difícil há quase meio século, com regimes, dimensões e recursos diferentes.

Nos meses de Maio, Junho, Julho e Agosto de 2006, os piores meses de crise, estive com o povo. Na noite do dia 28 de Abril estive com os primeiros deslocados na zona do aéroporto. Percorri as ruas de Dili, durante o dia e a noite. Visitei muitos bairros. Durante os dias mais difíceis, em que os nossos filhos nas F-FDTL e PNTL estavam no hóspital feridos, estive com eles. Visitei muitos distritos. Visitei Aileu, Same, Alas, Maubisse, Gleno, Ermera, Letefoho, Atsabe, Maliana, Liquicá, Suai, Oe-Cussi, Manatuto, Laklubar, Soibada, Baucau, Laga, Lospalos, Loré. Visitei ‘sucos’ distantes. Visitei todos os postos de polícia na fronteira. Falei com homens, mulheres, crianças. Falei com jovens, vendedores ambulantes, pescadores. Falei com elementos dos gangues e das artes marciais. Falei com os nossos polícias e com os nossos militares. Falei com os nossos respeitados bispos, padres, freiras. Falei com ONGs, com os partidos políticos. Falei com os nossos empresários.

Visitei a Austrália e a Malásia, dois dos quatro países que responderam prontamente ao nosso apelo de ajuda quando a crise atingiu o cúmulo. Os outros dois países, Nova Zelândia e Portugal espero visitar assim que possível para agradecer pessoalmente a enorme contribuição que estão a prestar ao nosso país. Também visitei a Indonésia. Fui visitar Sua Santidade o Papa no Vatican. Fui discursar no Conselho de Seguranca da ONU em Nova Iorque.

Fui indigitado para o cargo de Primeiro-Ministro em resultado da grave crise política que abalou o nosso país e aceitei essa ingrata e penosa tarefa.

Não quis ser Primeiro-Ministro por cinco anos e muito menos por 10 meses. O nosso país estava em crise e as nossas instituições estavam em vias de desintegração. O nosso povo estava a sofrer. Por isso, e só por isso, aceitei o cargo de Primeiro-Ministro por 10 meses.

Não quis ser Primeiro-Ministro em 2002 quando a situação era muito mais fácil. Podia em 2001 ter enveredado na corrida para o poder. Não o fiz. Não quis glória nem poder.

A crise de Abril e Maio de 2006 mostrou-nos que o nosso jovem Estado ainda não atingiu o nível de maturidade suficiente para que consigamos, sózinhos, lidar com todos os desafios.

Pedimos ajuda à comunidade internacional, especialmente aos países vizinhos e amigos, às Nações Unidas. A sua ajuda foi e continuará a ser essencial para Timor-Leste.


Todavia, a responsabilidade de lutar pelo nosso país continua a ser nossa, dos timorenses. Alcancámos a independência, hoje somos um Estado soberano, reconhecido pela Comunidade Internacional, mas a nível interno, temos ainda que percorrer um longo caminho para alcançarmos o que todos sonhámos para o nosso país: prosperidade, segurança, equilibrio institucional, estabilidade, desenvolvimento, verdadeira igualdade de direitos e oportunidades, paz social.

Baixámos as armas depois da luta contra a ocupação, temos que lutar agora em pról do futuro do nosso país. Nesta nova luta, cada cidadão timorense tem a responsabilidade de se colocar à disposição do país sempre que seja solicitado para tal e sempre que considere estar em condições para satisfazer os requisitos dos desafios a que se propõe.

Nos últimos tempos têm-me solicitado, aos mais diversos níveis, para que apresente a minha candidatura nas próximas eleições presidênciais.

Sei que tenho condições e capacidades para assumir o cargo de Presidente da República, portanto, estou disponível para assumir a minha responsabilidade para com o meu país.

Anúncio hoje, publicamente, aqui em Laga, a minha decisão de me candidatar à Presidência da República, para suceder a Xanana Gusmão, filho herói do nosso povo que o resgatou das grandes derrotas de 1977-79 e conduziu esse mesmo povo com extraordinária visão até à nossa libertação.

Foram semanas de reflexão e de muita hesitação. Reflecti sobre a honrosa mas muito penosa missão de me candidatar a Chefe de Estado.

Nos termos da nossa Consituição, o “Presidente da República é o Chefe do Estado, símbolo e garante da independência nacional, da unidade do Estado e do regular funcionamento das instituições democráticas”.

Enquanto garante do regular funcionamento das instituições o Presidente deve assumir um papel de interligação e harmonização entre as diversas instituições do Estado, permitindo uma actuação coordenada e portanto, mais eficiente dos diversos orgãos de decisão.

O Diálogo entre instituições é essencial e pretendo fomentá-lo. Um país no qual as diversas instituições se encontrem de costas voltadas não pode crescer.

Durante todo o período da crise que vivemos e até aos dias de hoje, procurei sempre a via do diálogo. Fi-lo porque acedito que só através do diálogo poderemos encontrar as melhores soluções para o nosso país, para o nosso futuro. Fi-lo porque considero que o único modo de alcançar uma decisão justa é através da audição de todos os interessados.

Neste sentido, procurei sempre estimular também o diálogo entre outros, com a consciência de que assim estaria a contribuir para o fortalecimento da nossa democracia e estabilidade social.

Portanto, posso dizer que continuarei, caso seja eleito Presidente, a ter a mesma atitude de harmonização institucional, porque penso que só assim se consegue garantir a independência nacional e a unidade do Estado.

Penso que este é um dos modos através do qual se consegirá reconstruir o que no nosso Estado ficou mais abalado após a crise de Abril e Maio de 2006 e da instabilidade vivida nos meses seguintes.

Estou prestes a terminar o meu mandato como Primeiro-Ministro. Seguirei à risca o que a lei determina. Como candidato, durante o período da campanha eleitoral, afastar-me-ei do governo temporariamente. Não uso, não usarei meios do Estado para a minha “campanha”. Como candidato sou um cidadão comum e não tenho o direito de recorrer aos recursos do Estado fora das funções oficiais que exerço. Observarei com rigor esta regra.

Vim a Laga em viaturas privadas. Aliás NUNCA usei viaturas do Estado para actividades não ligadas às minhas funções quer de Ministro dos Negócios Estrangeiros quer de Primeiro Ministro e Ministro da Defesa. E o não farei agora.

Convido o Inspector-Geral do Estado, os Partidos Políticos e e outras instituições a monitorarem as minhas actividades.

O Governo ao qual presido é um Governo da FRETILIN, o partido maioritário nas últimas eleições parlamentares. Procurei sempre respeitar o partido maioritário, tendo a consciência de que, sendo PM não eleito, com menos de um ano de mandato e surgido de uma crise, teria muitas limitacões de tempo e de poder.

Colaborei lealmente com o partido no poder e com os meus colegas de governo. Partilho com os meus colegas os pequenos êxitos registados da minha governação de escassos meses, muito do que alcançámos ficou-se a dever à experiência e dedicação que demonstraram. As falhas assumo-as eu com humildade e por elas peço desculpa ao nosso povo sofredor e digno.

Durante o período eleitoral, apresentarei ao povo a minha visão e as minhas ideias para a Presidência, tanto a nível interno como internacional.

Até lá, continuarei a servir o país no cargo que ocupo actualmente.

Que Deus todo Bendoso e Poderoso nos abençoe. – FIM.

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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