sexta-feira, abril 06, 2007

Notícias - traduzidas pela Margarida

A igreja abençoa candidato presidencial em Timor
Fairfax
Lindsay Murdoch em Dili e agências Abril 5, 2007

A igreja católica fez uma intervenção de surpresa nas eleições presidenciais em Timor-Leste, assinalando o seu apoio ao antigo activista estudantil e preso político Fernando "La Sama" de Araujo.

Nu golpe para os outros oito candidatos, incluindo o laureado do Nobel José Ramos-Horta, o representante da igreja na Comissão Nacional de Eleições, Martinho Gusmão, disse ontem que o Sr de Araujo tinha o "carácter " para liderar Timor-Leste a sair da crise.

O padre Martinho disse aos jornalistas em Dili que os padres e os bispos em mais de 200 igrejas espalhadas pelo país não indicarão um candidato preferido durante as missas do domingo de Páscoa, na véspera da eleição. Mas que mais tarde, fora dos muros das igrejas, os padres seriam livres de dizer aos crentes quem é que acreditam ser o melhor candidato para substituir Xanana Gusmão que não se recandidata. Mais de 95 por cento do 1 milhão de habitantes de Timor-Lete são catálicos, pelo menos de baptismo.

Conquanto o padre Martinho sublinhasse que o Sr de Araujo era a sua escolha "pessoal" para presidente, a sua decisão de o apoiar influenciará fortemente o que os padres disserem na véspera da eleição.

O padre Martinho fez o seu comentário apesar de ser um dos 15 membros da comissão de eleições, o órgão independente que está a supervisionar a condução das eleições. Negou que a sua postura reflicta um conflito de interesses."Gozamos a liberdade de expressar seja o que for que quisermos," disse.

O Sr de Araujo, que lidera o Partido Democrático, tem ainda o apoio do foragido amotinado Alfredo Reinado, um herói de culto para muitos Timorenses, que tem desde há quatro semanas anda a fugir aos soldados Australianos que o procuram nas montanhas rugosas do centro. Reinado, que é procurado por homicídio e rebelião armada, emitiu uma declaração a semana passada dizendo que o Sr de Araujo trará "paz e justiça " ao país, depois do levantamento violento do ano passado que deixou 37 mortos e forçou mais de 100,000 pessoas a saírem das suas casas. Três candidatos emergiram como corredores da frente na primeira eleição a ser organizada por Timor-Leste desde que o seu país ganhou a independência em 2002.

Francisco Guterres do partido no poder atraiu mais de 5000 apoiantes num comício no último dia da campanha em Dili ontem. Milhares também estiveram nos comícios do Sr de Araujo e do Sr Ramos-Horta. A polícia da ONU foi chamada para travar algumas lutas com pedras na cidade que resultaram em vários feridos incluindo dois polícias.

■ Xanana Gusmão ontem apelou à libertação do dinheiro da nação $US1 bilião ($1.3 biliões) do fundo dos rendimentos do Mar de Timor, dizendo que o povo vive na miséria quando a nação poupa para o futuro.

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Candidata presidencial prega paz com esperança

Por: Jill Jolliffe
Dili, Abril 4 (AAP) – Uma cavalgada colorida de jovens quadros à volta de Dili em camiões e motociclos em apoio da única mulher entre oito candidatos nas próximas eleições presidenciais em Timor-Leste.

Lúcia Lobato é uma bem-falante com 41 anos com provas dadas como deputada Social Democrata da oposição.

A sua mensagem para este país que tem visto tanto desassossego e violência é simples – trabalhemos juntos para alcançar a paz.

"As mulheres têm sido as grandes vítimas da crise de um ano," disse Lobato aos apoiantes no último comício da campanha ontem antes da votação de Segunda-feira. "Não trouxe nem paz, nem amor e contudo as mulheres não são violentas. "As nossas crianças estão muito afectadas. Precisamos de uma mulher no poder."

Os corretores do poder político de Timor-Leste tendem a desvalorizar Lobato de ser uma concorrente séria.

Mas ela tem o apoio de muitas mulheres, e apoio nos distritos populosos do oeste do país. Ontem no comício em Dili atraíu 1,500 apoiantes entusiásticos e de bandeira na mão.

Lobato tem ainda alguns amigos influentes.

Entre os que estiveram no comício estava a primeira dama Kirsty Sword Gusmão, a mulher do Presidente que está de partida Xanana Gusmão, que lhe deu um abraço de boa sorte e um ramo de flores.

Para ganhar sem mais a corrida presidencial de Segunda-feira um candidato tem de ganhar 51 por cento dos votos – um resultado improvável dado o número de candidatos, e a força do apoio dos três corredores da frente. Estes são Francisco 'Lu-Olo' Guterres da Fretilin, o partido do governo, o primeiro-ministro e laureado do Nobel José Ramos Horta, e o antigo líder estudantil Fernando Lasama Araújo do Partido Democrático.
Fretilin é o partido histórico da libertação, e ganhou uma maioria de 58 por cento nas eleições de 2001. Mas espera-se que sofra um declínio devido à associação com a violência do ano passado.

Lobato afirma que alguns dos seus comícios de campanha no campo atraíram multidões de 6,000-7,000, e acredita que Ramos Horta está "fora da corrida " depois de pouca gente participar nos seus comícios nas cidades do oeste Ermera, Maubisse, e Ainaro.

Bernabe Araújo, um residente em Ainaro contactado por telefone, confirmou que esteve "muito pouca " gente lá no comício do primeiro-ministro.

Uma carta emitida pelo foragido Alfredo Reinado – pedindo aos eleitores para não apoiarem Ramos Horta ou o candidato da Fretilin candidate porque apoiaram um ataque Australiano ao quartel-general de Reinado em Março – parece estar a ter efeito.

"Não podem ignorar que ele influenciou as pessoas," diz Lobato. "Ele tem muito apoio. "Em todo o lado que vou as pessoas perguntam sempre: 'O que é que vai fazer a Alfredo?'"

O seu sócio Mário Carrascalão, presidente dos Social Democratas, ecoa o sentimento. "A influência de Alfredo é enorme, enorme," diz.

Lobato sublinha que os eleitores podem decidir por si próprios. "As pessoas pensam que ainda somos ignorantes, como em 1974-75, mas somos diferentes," diz. "Ramos Horta foi um grande diplomata, mas falhou como primeiro-ministro."

Lobato é um dos três candidatos com origem do oeste que no mês passado concordaram em re-dirigir os votos dos apoiantes para quem chegar à segunda volta.

Lasama é considerado o mais provável a ter sucesso, mas Lobato mantém um pequeno raio de esperança que possa alcançar o seu sonha de uma mulher a liderar uma nação pacífica.

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UNMIT – situação de segurança – Quinta-feira, Abril 5, 2007
Esta é uma emissão da Polícia da ONU em Timor-Leste para lhe dar informação acerca da situação de segurança no país.


Hoje, a situação no país tem estado calma. Ontem, alguns incidentes relacionados com a eleição ocorreram em Dili e no seu exterior.

A UNPol atendeu oito incidentes hoje, nenhum foi sério. Por volta do meio-dia, a UNPol respondeu a relatos de um bloqueio de estrada na estrada para Metinaro. Contudo não se encontrou qualquer bloqueio de estrada.

Ontem, com quatro candidatos eleitorais diferentes a fazerem campanha em Dili, foram relatados confrontos na Igreja de Balide, Fatuhada, Kampung Alor, Caicoli, Colmera, Rotunda do Aeroporto e Obrigado Barracks. Oito pessoas foram feridas nesses incidentes. A UNPol ao lado de Unidades Formadas de Polícias e da Força de Estabilização Internacional trabalharam arduamente para prevenir a escalada da situação. Depois das 2300 horas, a situação manteve-se calma.

Ontem à noite em Ermera, apoiantes de um candidato presidencial atacaram apoiantes de outro quando a sua caravana chegava a Gleno. Seguiu-se lutas de pedras mas a UNPol e a ISF conseguiu restaurar a ordem na área. Cinco pessoas feridas com dardos de metal foram transportadas para o hospital de Dili.

Separadamente, por volta das 1930 horas em Metinaro, uma caravana com apoiantes foi de modo similar atacada por apoiantes rivais. 15 pessoas foram alegadamente feridas na luta que se seguiu, e quatro camiões foram danificados. Às 2230, a UNPol negociou então a libertação de oito veículos através de bloqueio da estrada. Finalmente uma Unidade Formada da Polícia Portuguesa escoltou toda a caravana através de Metinaro por volta das 2310. Um veículo na caravana foi danificado por pedras bem como dois veículos da ONU num incidente separado.

O Plano de Segurança das Eleições está correntemente na fase dois, que cobre o período da campanha.
Como parte da fase três, que cobre o dia da eleição de 9 de Abril, a UNPol e a PNTL estará destacada em cada assembleia de voto e patrulhas móveis estarão a monitorizar nas áreas à volta. Unidades Formadas de Polícia cobrirão dez assembleias de voto por Unidade e terão capacidade para se deslocar com rapidez em caso de emergência. Estas medidas estão no local para garantir que todos os Timorenses podem votar sem receio de violência ou intimidação.

A Polícia aconselha que devem evitar viajar durante a noite nas áreas mais afectadas. Contactem a polícia se virem algo de suspeito ou qualquer espécie de problemas, e evitem permanecer perto de qualquer distúrbios. Chamem o 112 ou o 7230365 para contactar a polícia 24 horas por dia, sete dias por semana.

Esta foi uma emissão da Polícia da ONU em Timor-Leste, para o povo de Timor-Leste.

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Hugo Chavez? Não. Xanana Gusmão... Separados à nascença?...
The Australian - Abril 05, 2007
Gusmão: Trarei os milhões do petróleo para casa
Stephen Fitzpatrick, Dili, Timor-Leste

O herói da resistência Timorense Xanana Gusmão prometeu que libertará as centenas de milhões de dólares dos rendimentos do petróleo retidos numa conta bancária em Nova Iorque se for eleito primeiro-ministro.

O posto de presidente do Sr Gusmão vai a eleições na Segunda-feira. Ele não concorre ao posto com importância simbólica mas concorrem outros oito candidatos, incluindo o corrente Primeiro-Ministro José Ramos Horta.

A eleição presidencial na Segunda-feira será seguida por eleições parlamentares em meados do ano, incluindo para o posto poderoso de primeiro-ministro – um posto que o Sr Ramos Horta herdou o ano passado depois de Mari Alkatiri do partido do governo a Fretilin, ter sido deposto num episódio de desassossego público sangrento.

Ontem, a campanha em Dili deteriorou-se em violência quando rebentaram lutas esporádicas entre gangs de jovens de partidos rivais. A polícia disparou gás lacrimogéneo e tiros de aviso para separar lutas e ataques de pedras, que deixaram vários feridos, incluu«indo dois polícias da ONU que ficaram feridos durante um confronto perto da embaixada Australiana.

O Sr Ramos Horta atraiu vários milhares de pessoas a um estádio na capital, Dili, ontem à tarde para o evento final oficial da campanha para as eleições de Segunda-feira.

Não serão autorizados mais comícios eleitorais, o que deixa os púlpitos das missas de Domingo de Páscoa como a última oportunidade para indicações políticas neste país devotadamente católico.

O porta-voz da Comissão Eleitoral Martinho Gusmão, um padre católico de topo, disse ontem que os oficialmente não seria dito aos paroquianos em quem deviam votar dado que "pedimos às pessoas para escolher de acordo com a sua consciência".

Contudo o padre Gusmão disse que dos oito candidatos, ele favorece o líder do Partido Democrático Fernando "Lasama" de Araújo "e se alguém me pedir conselho será isso que eu direi".

O padre negou que estava a criar um conflito de interesses ao aparecer a endossar um candidato particular dado que trabalha para a comissão eleitoral, "visto que nós os Timorense de certo modo temos de desenvolver o carácter do nosso estilo político – a cultura dos nossos políticos ".

Falando num fórum público em Dili, o padre Gusmão foi interrompido pelo seu homónimo, o antigo presidente, que disse: "O que ele quer dizer é que, entre os candidatos, Lasama é quem satisfaz a jovem geração – os outros são todos avôs que concorrem à eleição."

A questão de um intervalo de gerações na divisão política de Timor-Leste tornou-me um tema de retórica das eleições, com a demarcação a ver-se entre os que usaram armas contra a ocupação Indonésia e os que não usaram.

O Sr Gusmão, um antigo líder de guerrilha que esteve preso pela Indonésia por causa das suas acções, aparece para passar ao aliado de há muito Sr Ramos Horta os votos dos que lutaram na resistência de 24 anos, ao apoiar pessoalmente a campanha do último.

A mulher do Sr Gusmão, Kirsty Sword Gusmão e os filhos estiveram ontem no comício de Horta, para alegria dos apoiantes.

Num ataque que tinha por alvo o governo corrente – liderado pelo Sr Ramos Horta mas dirigido pela Fretilin – O Sr Gusmão disse ontem que era importante que a próxima administração "ponha os nossos dedos nas muitas coisas que não fizemos de modo correcto ".

Chave, entre estas, disse, foi o falhanço de prestar cuidados de saúde adequados, educação e outras necessidades sociais importantes, "ou mesmo garantir que as pessoas tinham o suficiente para comer ".

"Agora precisamos de ter um plano mestre em como gastar o dinheiro, de modo que em 10 a 15 anos este país viva em condições muito boas," disse.

"Mas a democracia não funcionará se as pessoas tiverem fome. Temos tanto dinheiro numa conta em Nova Iorque, enquanto que aqui em Timor temos gente a lutar e a viver na miséria."

O Sr Gusmão chegou a dizer que será capaz de obter acesso a esse dinheiro.

Um terceiro concorrente com uma possibilidade é Francisco "Lu Olo" Guterres da Fretiilin, que atraiu vários milhares de pessoas num comício em Dili ontem.

Os resultados formais da eleição não se espera serem conhecidos pelo menos dois dias depois do encerramento da votação, o que deixa a possibilidade de mais violência no caso de os resultados serem disputados.

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Reuters – Quarta-feira 4 Abril 2007 11:02:29 BST
Violência atinge a campanha em Timor quando os candidatos apelam à unidade
Por: Ahmad Pathoni

Dili – Um antigo combatente da independência Timorense preso pela Indonésia durante seis anos prometeu na Quarta-feira unir o seu país fracturado por conflito e levar a justiça ao povo, quando o último dia da campanha eleitoral foi manchado pela violência.
Fernando de Araújo, cujo nome de guerra é La Sama, está entre os oito candidatos que concorrem à votação presidencial de Segunda-feira.
Pelos padrões da história caótica da pequena nação, a campanha eleitoral tem sido relativamente pacífica, mas na Quarta-feira confrontos de pedras entre apoiantes de vários candidatos deixou 30 pessoas a precisarem te tratamento médico na capital Dili, de acordo com testemunhas da Reuters e dos empregados do hospital.
Várias vítimas tinham cabeças partidas e uma enfermeira disse que pelo menos uma pessoa fora ferida com uma seta.

A polícia da ONU disse numa declaração que "a situação em Dili e à sua volta estava na maioria calma" mas notou que dois incidentes, um posto sob controlo quando oficiais dispararam para o ar dois tiros de aviso e um outro que levou cinco pessoas para o hospital com ferimentos menores.

Contudo um comício de De Araújo – aos 44 anos o mais jovem entre os candidatos e considerado por alguns como um forte candidato – correu pacificamente.
"La Sama tem uma boa possibilidade de ganhar. Ele cai bem nos eleitores jovens que estão desiludidos com o falhanço da geração mais velha," disse o analista político Julio Thomas à Reuters.

O candidato de estatuto maia alto é porém José Ramos-Horta, que sucedeu a Alkatiri como primeiro-ministro e ganhou um prémio Nobel da paz durante a luta contra a Indonésia.

Cerca de 2,000 pessoas apareceram num campo de football em Dili, acenando com fotos de De Araújo e bandeiras azuis do Partido Democrático que ele fundou. "Acredito que a jovem geração de Timor-Leste se unirá outra vez," disse De Araújo aos seus apoiantes que cantavam "Viva La Sama".

Nova geração

"É tempo de os jovens substituírem os velhos, que apenas trouxeram o caos a este país," disse o apoiante Leo da Costa, o seu peito nú decorado com as iniciais do Partido Democrático pintadas em amarelo.

De Araújo, cujo tema de campanha é "è a altura do filho de um pobre liderar o país," disse que criará um sistema legal livre de discriminação. "O corrente sistema judicial é uma porcaria. A lei não deve discriminar. Deve apenas punir as pessoas que roubam galinhas mas também as que ilegalmente distribuem armas," disse De Araujo, de pé num camião e usando um lenço tradicional colorido ao pescoço. Não mencionou qualquer nome.

O antigo Primeiro-Ministro de Timor-Leste Mari Alkatiri foi acusado de dar armas aos apoiantes para matarem opositores políticos durante a vaga de violência do ano passado que levou o governo a convidar tropas estrangeiras para restaurar a ordem.

As acusações contra Alkatiri foram retiradas no princípio do ano depois das autoridades dizerem que não havia evidência.

Timor-Leste tornou-se independente em 2002 depois de um período de gestão pela ONU. Tem ricos recursos de energia mas somente agora começou a canalizá-los e a maioria do país de um milhão de habitantes permanece entre a mais pobre so mundo.

De Araujo passou seis anos numa prisão em Jacarta, de 1992 a 1998, por fazer campanha pela independência de Timor-Leste.
Continuou os seus estudos depois de ter sido libertado e graduou-se na Universidade de Melbourne em 2001.

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UNMIT – Conferência de Imprensa - 05 Abril 2007
Obrigado Barracks, Dili

Introdução por Allison Cooper, porta-voz da UNMIT: Boa tarde a todos, obrigado por terem vindo à nossa conferência de imprensa de hoje. Antes de prosseguirmos e de ouviros o SRSG Atul Khare e o Vice-SRSG Finn Reske-Nielsen, quero lembrar o que podem esperar da ONU nos próximos dias e o que iremos fazer.

Primeiro de tudo há vários comunicados de imprensa nesta mesa por detrás de mim. Estão em Inglês, Tétum e Bahasa, por favor levem-nos antes de saírem. Um desses é da Equipa de Certificação Eleitoral em relação à data sobre o próximo relatório.

Uma oitra coisa para anotarem na agenda: haverá um encontro com a imprensa às 4 pm no dia das eleições para uma visão geral da situação de segurança e que se fará nesta sala.

O nosso encontro com a imprensa às 4 pm em 9 de Abril será seguido por outro no dia seguinte ao meio-dia onde ouvirão do SRSG Atul Khare e de outros empregados de topo da ONU.

Enquanto estão todos aqui neste lugar, especialmente para os que acabam de chegar, esta mulher aqui é Mónica Rodrigues, ele é a porta-voz da UNPol e o seu número é o 7230749. Ela deve ser o vosso primeiro ponto de contacto nos próximos dias para tudo o que diga respeito à segurança. Obviamente que estou sempre disponível também e o meu número é o 723 0453.

Quero também ter a certeza que têm o número do Miguel Caldeira. É o conselheiro de imprensa para o STAE e a CNE, é a pessoa para os pôr em contacto com o porta-voz relevante dessas organizações. É o 7266007.

Há um outro porta-voz aqui nos bastidores de camisa azul, ele é o Marcus Prior, é do World Food Program e está no 732 6795.

Anda um papel a circular, se me derem os vossos nomes, números e detalhes dos contactos podemos telefonar-lhes se organizarmos mais encontros de imprensa.

Estamos no processo de organizar duas viagens de helicóptero no dia da eleição. Herá um pool de media a operar em cada um desses helicópteros. Cinco lugares para os internacionais e cinco lugares para os membros nacionais da imprensa. Se quiserem participar fiquem no fim e falem comigo, tenho os papeis relevantes e preciso de resolver quem é que vai onde. A última coisa que quero dizer antes de passar ao SRSG é que o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon está a fazer uma declaração sobre as eleições e isso estará disponível num link da UNIFEED. Todos têm o meu número, por isso contactem-me nos próximos dias e e informá-los-ei se está disponível e a logística de obter essa declaração. Passo agora para o SRSG Atul Khare que fará uma declaração seguido pelo Vice-SRSG Finn Reske-Nielsen e depois passamos para as perguntas. Mais uma vez obrigada por terem vindo.

SRSG Atul Khare: Boa tarde, boa tarde. Obrigada Allison, e obrigada vocês por terem vindo.

Esta manhã a gestão de topo da Missão Integrada da ONU em Timor-Leste, UNMIT, membros da comunidade Diplomática, e os que representam os países do Grupo Central em Nova Iorque tiveram a experiência inovadora de uma vídeo teleconferência que foi organizada pela primeira vez entre a ONU e os membros residentes do Grupo Central da Comunidade Diplomática em Timor-Leste, com os embaixadores do Grupo Central em Nova Iorque e a liderança de topo da DPKO em Nova Iorque.

É claro para mim que há um forte apoio internacional da ONU e da comunidade internacional para as eleições de Segunda-feira.

Isso será claro para o povo de Timor-Leste e na verdade para o resto do mundo por intermédio de uma declaração do Conselho de Segurança e a declaração do Secretário-Geral, de que a Allison já lhes falou. A declaração do Conselho de Segurança já está disponível aqui e podem levar uma cópia. A mensagem do Secretário-Geral ao povo de Timor-Leste será disponibilizada na manhã de 8 de Abril, Domingo. Quanto aos detalhes da UNIFEED para obter a mensagem em formato de video esses estão disponíveis e podem também levar as cópias.

Claramente, as pessoas deste país têm o apoio de muitos amigos pelo mundo fora, o Secretário-Geral, o Conselho de Segurança e etc,.

A campanha para as eleições Presidenciais concluem-se oficialmente amanhã e estou bastante impressionado com o processo até agora.

Realizaram-se 128 comícios e eventos de campanha desde 23 de Março e de certo modo estou contente que apenas 15 deles – um pouco mais de 10% - foram manchados por incidentes violentos. Assim, no total, 90% dos eventos da campanha não tiveram violência. Apesar disto, os 15 incidentes de violência causaram-me preocupação, porque afectaram praticamente todas as campanhas num momento ou noutro. Felizmente nenhum dos incidentes foi extremamente sério e nenhum evitou que a campanha continuasse. Mesmo assim, condenamos fortemente o uso da violência durante a campanha eleitoral. A polícia tomos as medidas adequadas para concluir a situação e para prender os perpetradores, mas ao mesmo tempo torno a apelar a todas as partes para pedirem aos seus apoiantes para evitar tal comportamento. Tal comportamento, particularmente incidentes de violência, não têm lugar numa sociedade democrática.

Estou também inquieto por saber que ontem houve um incidente onde alguns indivíduos entraram à força no escritório da Comissão Nacional de Eleições. Como sabem o controlo do acesso a este edifício como a outros edifícios tem sido feito por um arranjo de segurança privado, que correntemente está a ser financiado sob um projecto da UNDP. Em adição há ainda oficiais da polícia da ONU nas proximidades e fiquei contente que oficiais da polícia da ONU conseguissem escoltar as quatro pessoas que entraram à força para fora do edifício. Ao mesmo tempo que condeno estes incidentes pedi também ao Comissário da Polícia para reforçar a segurança na CNE. Mas, outra vez, como disse antes, 90% da campanha correu bem e pacificamente.

Esta condução da campanha é em primeiro lugar e principalmente um tributo do povo deste país e em segundo lugar do nível de compromisso de todos os candidatos presidenciais ao Código de Conduta que todos assinaram há algumas semanas,

O órgão que conduz as eleições, o STAE, e a organização que supervisiona as eleições, a CNE, trabalharam bem até agora. E isto mostra que há uma boa capacidade neste país para organizar eleições.

Estou confiante que esta serão eleições pacíficas.

Estou confiante que serão livres, correctas e transparentes.

Estou confiante que o serviço de policiamento, tanto da UNPol como da PNTL, trabalhando numa única unidade – assistidas pela Força Internacional de Estabilização – assegurarão que o espaço para a escolha democrática pelo voto será seguro.

Estou também confiante que os muito diferentes observadores, tanto internacionais como nacionais, farão a observação independente que será necessária para assegurar que o público aceita o resultado seja ele qual for.

Antes de dar a palavra ao Vice.SRSG Finn Reske-Nielsen, deixem-me mencionar uma questão que não tem sido muito mencionada nestas últimas semanas. Como disse na minha primeira conferência de imprensa em meados de Dezembro a justiça é um pré-requisito essencial para a reconciliação. Acredito fortemente que há a necessidade para uma continuação enérgica das recomendações da Comissão Especial Independente de Inquérito aos eventos de Abril-Maio do ano passado. E em relação a isso, gostaria de repetir outra vez, que no que diz respeito ao foragido Major Reinado, ele deve ou submeter-se pacificamente à justiça ou tem de ser trazido à justiça. Justiça, responsabilização e reforço da aplicação da lei, são questões críticas para o governo deste país. Deixem-me agora passar ao Vice-SRSG Sr. Finn Reske-Nielsen.

Vice-SRSG Finn Reske Nielsen: Obrigada, boa tarde, boa tarde.

Gostava de brevemente lhes dar alguns factos e números acerca das preparações para as próximas eleições presidenciais. Deixem-me na abertura anotar, como anotei em muitas ocasiões, que as eleições da próxima semana têm sido organizadas, conduzidas e supervisionadas pelas autoridades nacionais de Timor-Leste. E isto tem sido feito num país que só tem cinco anos – jovem de cinco anos melhor dizendo – e que por isso é uma grande tarefa para as instituições eleitorais desenvolverem e até agora têm-no feito muito bem. Como sabem o governo completou o processo do recenseamento eleitoral a semana passada e resultou disso 522,933 eleitores registados: 51% deles são homens e 49% deles são mulheres. Durante os últimos meses realizaram-se campanhas extensivas de educação dos eleitores pelo país, lideradas pelo governo, mas com forte apoio técnico e logístico da ONU. Tudo isto teve o objectivo de assegurar que os eleitores saibam quando votar, como votar e o que é votar numa democracia multi partidária.

As eleições presidenciais da próxima Segunda-feira serão geridas através de mais de 500 centros de voto e em mais de 700 assembleias de voto pelo país. Esses centros serão dirigidos por mais de 3500 oficiais eleitorais que foram treinados nos procedimentos eleitorais durante a semana passada.

Como sabem os materiais de campanha sensíveis incluindo os boletins de voto foram distribuídos para as capitais de distrito ontem e estão agora a serem re-empacotados e aprontados para serem subsequentemente despachados para os centros de voto e assembleias de voto no Domingo. E tudo isto está a ser feito pelo STAE, o Secretariado responsável pelas eleições, do Ministério da Administração do Estado sob a supervisão da Comissão Nacional de Eleições e com o apoio da ONU. O apoio da ONU incluirá veículos mas no Domingo também usaremos quatro helicópteros para ajudar com a distribuição de materiais sensíveis em lugares que não têm acesso por estradas ou porque são muito remotos ou porque as estradas podem ter desaparecido por causa das últimas chuvas.

O governo usará ainda mais de 400 carregadores e cerca de 90 cavalos para distribuir de maneira económica os materiais sensíveis difíceis de colocar nos sítios.

A segurança como o SRSG mencionou antes, é uma preocupação primária. Até agora as coisas têm corrido bastante bem. Haverá um maior reforço para apertar a segurança no decurso do próprio dia das eleições e no período imediato pós-eleições. Isto é feito em esforços colaborantes entre a UNPOL e a PNTL como uma força para assegurar a toda a gente que estarão protegidas no dia das eleições. Finalmente algumas palavras sobre os observadores eleitorais, nesta altura há mais de 2000 observadores nacionais. Foram todos acreditados pelo STAE e há 232 observadores internacionais de um grande número de países e de agrupamentos regionais. Esses observadores estão a receber apoio da ONU para os ajudar na tarefa nos próximos dias e coordenar as suas actividades de modo a terem a mais alargada cobertura geográfica possível. Muito obrigada, obrigado barrack.

Pergunta: Lindsay Murdock de The Age, Posso perguntar ao Vice-SRSG Finn, se houve questões sérias levantadas pela Equipa de Certificação sobre as eleições. Quantas dessas foram respondidas e quantas é que os organizadores não responderem antes das eleições serem consideradas suficientemente correctas?

Vice-SRSG Reske-Nielsen: Na verdade a Equipa de Certificação já emitiu cinco relatórios. Acabaram de começar a 6ª visita e esperamos o 6º relatório dentro de algum tempo duas ou três semanas depois do fim da visita. E no decurso das cinco visitas até agora fizeram umas tantas observações e algumas recomendações relacionadas com estágios diferentes do processo eleitoral. Fizeram alguns comentários relacionados com [inaudivel] moldura e recomendaram nalguns casos que o Parlamento fizesse legislação suplementar e assinada pelo Presidente. Até agora uma lei suplementar já foi aprovada e assinada. E alguns regulamentos foram emitidos pelo STAE e pela CNE de modo a implementar o melhor possível as recomendações da equipa. Outras recomendações, temos esperança, serão implementadas depois da primeira volta das eleições presidenciais.

Pergunta: Anne Barker da ABC. Pode explicar o processo de determinação dos resultados na Segunda-feira, qual será e que tipo de percentual tem de ser obtido para decidir a segunda volta das eleições?

Vice-SRSG Reske-Nielsen: A votação ocorrerá entre as 7am e as 4pm de Segunda-feira. A contagem será feita [inaudivel] nos centros de voto e nas assembleias de voto. A primeira arrumação em tabelas será feita a nível de distrito imediatamente depois. As caixas de votos e os boletins de voto serão transportadas para Dili e a arrumação final em tabelas será feita pela CNE. E acredito que o plano é que o presidente da CNE anunciará o resultado oficial até ao final da próxima semana.
Em relação à segunda questão, sob a lei da eleição Presidencial haverá necessidade de uma segunda volta se nenhum candidato tiver 50% mais um do total dos votos entrados. Assim se for este o caso haverá uma segunda volta um mês depois de 9 de Abril.

SRSG Khare: Deixem-se acrescentar uma coisa. Depois da CNE anunciar o resultado das eleições, espero e confio que os candidatos aceitarão os resultados das eleições, mas se por hipótese não aceitarem têm a oportunidade de recorrer ao Tribunal de Apelos e o Tribunal de Apelos tem de dar a decisão depois. Assim este é um processo que demorará algum tempo. Confio que todos os candidatos ou aceitarão pacíficamente os resultados das eleições ou as contestarão no Tribunal.

Pergunta: O grupo que entrou à força no escritório da CNE com base em informação que temos traziam com eles pedras e outras armas. Gostaria de perguntar ao Sr. Atul, se foi devido à fraca provisão de segurança que essa gente conseguiu entrar? E se sim se há necessidade de adicional e forte segurança antes das eleições de Segunda-feira?

SRSG Khare: Obrigado. Como disse no princípio, este incidente é um dos que tem de ser fortemente condenado. Já havia segurança para o edifício. Para este edifício, a segurança tem de ser feita por agências de segurança privadas. O UNDP está a ajudar o governo, porque o governo tem de providenciar segurança, mas o UNDP sob o seu programa está a ajudar o governo pagando o custo da segurança de seis pessoas que providenciam segurança 24 horas por dia. Em adição, sendo um caso especial, oficiais da polícia da ONU têm também sido colocados lá. Foi a presença desses oficiais de polícia que asseguraram que essa gente pôde ser imediatamente retirada depois de terem forçado a entrada. Não me disseram que tivessem quaisquer armas. Disseram-me que traziam alguns paus mas obviamente com a acção rápida dos polícias não puderam causar nenhuns estragos e foram retirados do edifício. Dito isto, já pedi ao Comissário da polícia para lá pôr mais oficiais da polícia. Ao mesmo tempo devo dizer que em qualquer país do mundo a polícia só pode controlar os incidentes, como fizeram desta vez – podem conter e controlar. É impossível prevenir todos e qualquer incidente em sítio nenhum do mundo. E penso que no que respeita contenção e controlo que agiram muito bem.

Pergunta: Steven Fitzpatrick do jornal The Australian. Dado que como disse haverá alguns dias entre a votação na Segunda-feira e o anúncio formal dos resultados mais tarde na semana, tem preocupações ou informação específica que grupos ou apoiantes de candidatos possam estar a planear causar problemas ou tenham a capacidade de causar problemas, e que tipo de precauções específicas tem para lidar com isso?

SRSG Khare: A democracia é um processo que requer a interiorização de normas de não-violência e respeito mútuo. Obviamente é preocupante que haja a possibilidade, e há sempre a possibilidade de distúrbios entre agora e o dia das eleições e entre o dia das eleições e o do anúncio dos resultados e mesmo depois do anúncio dos resultados. Não entrarei em detalhes operacionais mas isto tem de ser tratado em três frentes.
A primeira e mais importante a polícia está a reunir a informação para tentar e fazer acções preemptivas e estacionar também as forças com o apoio da ISF conforme necessário para assegurar que quando ocorre um incidente pode ser controlado rapidamente. A segunda, os candidatos têm de apelar aos seus seguidores para respeitarem escrupulosamente o código de conduta, que eles próprios assinaram, e a concepção mais alargada de eleições em qualquer democracia de se restringirem da violência. Sobre isto acabei de fazer um apelo a todos vocês para todos os candidatos e partidos políticos evitarem a violência e encorajarem os seus apoiantes a fazerem o mesmo. Disseram-me ainda que os líderes da igreja e o presidente do país farão apelos similares para a manutenção da paz nos próximos três dias. E finalmente há o papel da comunidade internacional, que está a observar, muito cuidadosamente, e acredito que uma declaração acabada de emitir pelo Conselho de Segurança e a mensagem que vai aser emitida pelo Secretário-geral terá um efeito.

Pergunta: Richard Lloyd, London Times. Ao fazer os seus planos de contingência para o período eleitoral, que grupo ou elementos identificou como mais prováveis de ameaçar a segurança? E outra questão, pode falar dos incidentes de ontem e em [inaudivel] e sei que houve outros. Pode dizer-nos brevemente o que é que aconteceu, que ferimentos houve e quem esteve envolvido, etc.

SRSG Khare: Deixe-me relatar rapidamente os incidentes de ontem. Houve cinco eventos de campanha que se realizaram num dia, o que já é um desafio e tarefa muito fortes. De facto foi-me dito que em todos os eventos de campanha a segurança foi bastante razoável e durante a campanha não ocorreu nenhum incidente maior. Eventos têm ocorrido quando caravanas de apoiantes ou vão ou estão a vir de eventos de campanha. Houve detalhes onde (os da) Fretilin foram vítimas, houve gente do PD que foram vítimas e houve vítimas de apoiantes também de outro partido. Dois dos maiores incidentes são o que teve lugar à noite em Gleno em Ermera onde o curso da situação ficou controlado em pouco tempo mas sei que perto de 20 pessoas foram feridas algumas com rama ambons, dardos de ferro, dois deles, e alguns com pedras. Algumas das feridas foram menores e o número total de feridos aproximadamente vinte, alguns menores e quatro que precisaram de hospitalização. No outro lado de Dili, à noite quando apoiantes de um candidato estavam a regressar de um comício foram apedrejados perto do campo de deslocados de Metinaro e cerca de 15 ou isso foram feridos.
Não entro nos incidentes porque podemos dar-lhe a informação depois da conferência de imprensa e todos pela porta-voz mas quero focar no facto que houve cinco comícios, e apesar de tudo isto os comícios decorreram pacificamente. Quero também esclarecer que tivemos três veículos da ONU com grandes estragos quando tentávamos prevenir esses incidentes e controlar estes incidentes e de facto dois oficiais de polícia da ONU também ficaram feridos. Por sorte foram menores e os oficiais estão tão comprometidos que depois do primeiro socorro continuaram a trabalhar pouco depois.

Pergunta: E a primeira questão, quem é que identificou como potenciais criadores de problemas?

SRSG Khare: Bem, obviamente os detalhes operacionais que temos da polícia e da ISF, não quero partilhá-los num encontro público. Mas o que diria é que uma categoria que identificámos claramente como perpetradores da violência são os que não têm os interesses e o povo deste país no coração. Os que não acreditam na democracia, e os que não têm lugar numa sociedade democrática. Isso claramente significa todos os perpetradores da violência. Obviamente que temos informação específica continuamos a recolher informação específica e controlamos a situação.

Pergunta: Sou Karen, da AAP, não queria falar de todos os incidentes mas perguntava-me se pode confirmar um: na conferência de imprensa da CNE há uma hora disseram que a campanha de Lasama se tinha queixado a eles que alguns dos seus apoiantes foram baleados com armas ontem, pergunto se pode confirmar isso, e dado que a CNE na conferência de imprensa disse que se sentia ameaçada quando pessoas invadiram ontem o seu complexo, porque é que está confiante que as eleições serão livres e correctas?

SRSG Khare: Obviamente não posso confirmar o que Lasama disse ou deixou de dizer à CNE, mas o que posso confirmar é que não houve tiros ontem excepto os feitos pela polícia para acalmar a situação. Como triste, estou bastante triste que apoiantes de todos os partidos políticos pareçam ter-se engajado nalguma violência outros partidos políticos. Em relação à CNE como disse no início não só condeno este incidente e não só pedi mais segurança mas tenho que lembrar que as quatro pessoas não causaram nenhum estrago e a situação foi contida e controlada e foral escoltados para fora do edifício e espero que com o aumento do número de pessoal de segurança no CNE a percepção psicológica de alguns membros da CNE de medo desaparecerá e serão encorajados a fazer o seu trabalho como os outros estão a fazer.

Pergunta: Brian Thomson, SBS. Pode dar-nos uma ideia do número de forças de segurança que tem no terreno aqui. ISF, números de polícia etc…

SRSG Khare: Há 1655 polícias internacionais. Em adição há cerca de 2800 oficiais da polícia nacional a trabalhar em Dili e nos distritos e são apoiados a pedido por perto de 1000 elementos da força internacional de estabilização liderada pelos Australianos.

Porta-voz Cooper: Há alguma pergunta de algum jornalista Timorense?

Pergunta: Sebastião do Daily Telegraph. Apreciaria uma resposta factual e directa. São os apoiantes da Fretilin responsáveis por mais violência do que os apoiantes de qualquer outro partido?

SRSG Khare: Não acredito que algum líder partidário apoie a violência e o que temos visto foi que os apoiantes de todos os partidos foram quem mais sofreu de algum grau de violência neste estágio da campanha, e com base na investigação da política não estou preparada para fazer um julgamento sobre quem foram os perpetradores da violência. O que sabemos é quem foram as vítimas. Lamento não tenho uma resposta de uma palavra.

Pergunta: Pode dizer-nos se houve prisões ontem?

SRSG Khare: Conforme vejo aqui houve perto de 15 pessoas presas ontem em Dili. A maioria delas foi presa por atirarem pedras porque foi este o mecanismo principal pelo qual atacavam os apoiantes de outros partidos. Alguns foram presos também por posse de munições ilegais, balas e outros por comportamento belicoso e finalmente, ao mesmo tempo que a polícia se concentra e focalisa nas eleições, a polícia continua a fazer o seu trabalho normal por isso uma pessoa foi presa por roubo e uma outra no seguimento de uma ordem de prisão emitida pelo Procurador-Geral – um caso de alegada pedofilia. Temos aqui os nomes, mas obviamente trabalhamos na base que estão inocentes a não ser que condenados pelo tribunal não darei os nomes e dado que esta é a última pergunta antes de concluir a conferência de imprensa em nome da UNMIT desejo a todos uma Páscoa muito feliz e eleições pacíficas.

Porta-voz Cooper: Voltamos a ver-nos aqui às 4 horas de 9 de Abril.

UNMIT - Press Conference - 05 April 2007

Obrigado Barracks, Dili

Introduction by Allison Cooper, UNMIT spokesperson: Good afternoon everybody, thank you for coming for our press briefing today. Before we get underway and hear from SRSG Atul Khare and DSRSG Finn Reske-Nielsen, I just want to go through some housekeeping with you of what you can expect from the UN over the next few days and what we will be doing.

First of all there are a number of press statements on this table behind me. They are in English, Tetum and Bahasa, please take them before you go. One of those is from the Electoral Certification Team regarding the timing for their next report.

Another thing to put for you all to put on your diary: there will be a press briefing at 4pm on Election Day to provide you with an overview of the security situation, and that will be held in this room.

Our press briefing at 4pm on the 9th of April will be followed by another press briefing the following day at midday where you will be hearing from the SRSG Atul Khare and other senior UN staff.

While you are all here in one place, especially for those of you who are new arrivals, this woman here is Monica Rodrigues, she’s the UNPol spokesperson and her number is 7230749. She should be your first point of contact over the next few days for any issues to do with security. Of course, I’m always available as well, my number is 723 0453.

I also want to make sure that you have Miguel Caldiera’s number. He is the press advisor for the STAE and the CNE, he is the person to put you in contact with the relevant spokesperson for those organizations. He is on 7266007.

There is another spokesperson here at back in the blue shirt, he is Marcus Prior, he is from the World Food Program and he is on 732 6795.

There is a piece of paper circulating, if you can give me your name, numbers, and contact details we can call you if we are going to organize any further press briefings.

We are in the process of organizing two helicopter trips for the election day. There will be a media pool operating on each of those helicopters. Five places for internationals and five places for national members of the press. If you are keen to be involved with that please stay afterwards and talk to me, I have the relevant paperwork for you and need to sort out who is going where. The final thing I want to say before I pass over to SRSG is that the Secretary General of the United Nations, Ban Ki-moon is making a statement on the elections and that will be available on a UNIFEED link. You all have my number, so please contact me in the next couple of days and I will let you know what time it will be available and the logistics of getting that statement. I now hand over to SRSG Atul Khare who will provide a statement followed by DSRSG Finn Reske-Nielsen and then we will then open for questioning. Once again thank you for coming.

SRSG Atul Khare: Good afternoon, boa tarde. Thank you Allison, and thank you all of you for coming.

This morning the senior management from the UN Integrated Mission in Timor-Leste, UNMIT, members of the Diplomatic community, and those who represent the countries of the Core Group in New York had their innovative experience of a video teleconference which had been organized for the first time between the UN and the residents members of the Core Group of the Diplomatic Community in Timor-Leste, with the Ambassadors of the Core Group in New York and the senior DPKO leadership in New York.

It is clear to me that there is very strong international support from the United Nations and the international community for Monday’s elections.

This will be clear to the people of Timor Leste and indeed to the rest of the world through a statement from the Security Council and the statement of the Secretary General, which Allison already told you about. The statement from the Security Council is already available here and you can take a copy as you leave. The message of the Secretary General to the people of Timor-Leste will be available early in the morning of April 8, Sunday. As far as details of UNIFEED are concerned to get the message in a video format, these are available and you can have copies of them as you leave.

Clearly, the people of this country do have the support of many friends around the world, the Secretary General, the Security Council and so on.

Campaigning for the Presidential elections concludes officially tomorrow and I am quite impressed with the process so far.

128 rallies and campaign events were held since March 23, and in one way I am happy that only 15 of them - a little over 10% - were marred by violent incidents. So on the whole, 90% of the campaign events have been violence free. Nevertheless, the 15 incidents of violence caused concerned for me, because they have affected practically all campaigns at one time or another. Fortunately none of the incidents have been extremely serious and none have prevented the campaign from proceeding. Still, we strongly condemn all use of violence during election campaign. Police are taking appropriate action to conclude the situation and to arrest the perpetrators, but at the same time I would again urge all parties to call on their supporters to refrain from such behavior. Such behavior, particularly incidents of violence, have no place in a democratic society.

I was also troubled to hear that yesterday there was an incident whereby some individuals forcibly entered the office of the National Electoral Commission. As you are aware the access control to this building as for any other building has been provided by a private security arrangement, which is currently financed under a UNDP project. In addition there are also UN police officers on the premises and I was happy that the UN police officers were able to escort the four people who forcible entered the building out. While condemning these incidents I also asked the Police Commissioner to strengthen security at CNE. But again, as I have said earlier, the 90% of the campaign has gone well and peacefully.

This conduct of the campaign is a tribute first and foremost to the people of this country and secondly to the level of commitment from all presidential candidates to the Code of Conduct which they all signed a few weeks ago

The body running the election, the STAE, and the organization supervising the election, the CNE, have worked well until now. And this shows that there is good capacity in this country to organize elections.

I am confident that this will be a peaceful election.

I am confident that it will be free, fair and transparent

I am confident that the police service, both UNPol and the PNTL, working as a single unit – assisted by the International Stabilization Forces – will ensure that the space for democratic choice through voting will be safe.

I am also confident that the many different observers, both international and national, will provide the independent observation that will be needed to ensure that the public accepts whatever the results may be.

Before I give the floor DSRSG Finn Reske-Nielsen, let me mention an issue of which has not been mentioned much in last few weeks. As I said from my very first press conference here in mid-December justice is an essential pre-requisite for reconciliation. I strongly believe that there is need for energetic follow up to the recommendations of the Independent Special Commission of Inquiry into the events of April-May last year. And in this regard I will like to repeat again, that as far as fugitive Major Reinado is concerned, he should either submit to justice peacefully or he has to be brought to justice. Justice, accountability, and strengthening of the rule of law, are critical issues for the government of this country. Let me now hand over to DSRSG Mr. Finn Reske-Nielsen.

DSRSG Finn Reske Nielsen: Thank you, boa tarde, good afternoon.

I would like to briefly provide you with some facts and figures about the preparations for the upcoming presidential elections. Let me at the outset note, as I noted on many occasions, the elections next week have been organized, conducted and supervised by the national authorities of Timor-Leste. And this is been done in a country that is only five years old - five years young I should say - and therefore it is a big task for the electoral institutions to carry this out, and so far they have done very well. As you know the government completed the voter registration process last week and as a result of that there are 522,933 registered voters: 51% of them men and 49% of them women. Over the past several months extensive voter education campaigns have taken place across the country led by the government, but with strong technical and logistic support from the United Nations. This is all been aimed at ensuring that the voters would know when to vote, where to vote, how to vote, and what it is to vote in a multi party democracy.

Monday’s presidential election would be managed through more than 500 polling centers and more than 700 polling stations across the country. Those centers will be run by more than 3500 electoral officials who have been trained in the electoral procedures over the past week or so.

As you know the sensitive electoral materials including the ballot papers were distributed to the district capitals yesterday and they are now being repackaged and ready for subsequent dispatch to all the polling centers and polling stations on Sunday. And all of this is being done by STAE, the Secretariat responsible for the elections, within the Ministry of State Administration under the supervision of the National Electoral Commission, and with support from the United Nations. The support from the United Nations will include vehicles but we would also on Sunday use our four helicopters to help with the distribution of sensitive materials to places that are not accessible by roads either because they very remote or because roads could have been washed away due to the recent rains.

The government will also be using more than 400 porters and around 90 horses to distribute in a cost effective manner the sensitive materials that are in hard to get to places.

Security as SRSG has mentioned before, is a primary concern. So far things have been going quite well. There will be a further straightening of tighten security in the lead up to election day itself and immediate post election period. This is done in collaborative efforts between UNPOL and PNTL as one force to ensure that everybody will be safe on election day. Finally a few words on the electoral observers, at the present time there are more than 2000 national observers. They have all been accredited by STAE and there are 232 international observers from a large number of countries and regional groupings. Those observers are receiving support from the United Nations to help them do their job in the coming days and coordinate their activities in such a way that would have the broadest possible geographic coverage. Thank you very much, obrigado barrack.

Question: Lindsay Murdock from The Age, could I ask DSRSG Finn, there have been serious issues raised about the election by the Certification Team. How many of those have been addressed and how many do the organizers have left to address before this election is seen as fair enough?

DSRSG Reske-Nielsen: The Certification Team indeed so far has issued five reports. They just started the 6th visit and we expect the sixth report will be issued some time towards the end of this visit in about two to three weeks. And during the course of their five visits so far they have made a number of observations and a number of recommendations regarding the different stages and facets of the electoral process. They made a number of comments regarding the [inaudible] framework and recommended in a number of cases that supplementary legislation be enacted by the Parliament and signed by the President. So far one supplementary law has already been passed and signed into law. And a number of regulations have been issued by STAE and by the CNE in order to comply as best as possible to the recommendations of the team. A number of recommendations, we are hopeful, will be implemented after the first round of the presidential elections.

Q: Anne Barker from the ABC. Could you just explain the process of assessing the result on Monday, what would it be and what sort of threshold has to be reached to decide to go to the second round of elections?

DSRSG Reske-Nielsen: The actual casting of the vote will take place between 7am and 4pm Monday. The counting will be done in [inaudible] at the polling centers and polling stations. The first tabulation will be done at the district level immediately thereafter. The ballot boxes and the ballot papers will be transported to Dili where the final tabulation will be done by the CNE. And I believe the plan is that the chairman of the CNE will announce the official result sometime towards the end of next week.
As regards the second question, under the Presidential election law there will be a need for a run off election if no candidate gets 50% plus one of the total votes cast. So if that is the case of there will be a second round one month from the 9th of April.

SRSG Khare: Let me just add one small issue. After CNE announce the result of the elections, I hope and I trust that the candidates will accept the results of the elections, but if by chance they do not accept there is an opportunity to appeal at the Court of Appeals and the Court of Appeals has to give a ruling thereafter. So that is a process that might also take a bit of time. I trust that all candidates will either peacefully accept the results of the elections or challenge it in the court.

Q: The group that forcibly entered the office of CNE based on information that we received, they brought with them stones and also some other handmade weapons. I would like to ask the question to Mr. Atul, is it due to weak provision of security that these people managed to get in? If that so then is there any need to provide additional strong security ahead of Monday’s elections?

SRSG Khare: Thank you. As I said in the beginning, that this is an incident that has to be condemned very strongly. There was already security for the building. For this building, security has to be provided by private security agencies. UNDP is helping the government, because the government has to provide security, but UNDP under its program is helping the government by bearing the cost of security of six people who provide security around the clock. In addition, as a special case, UN police officers have also been posted there. It was the presence of these police officers which ensured that these people could be taken out immediately as they forcibly entered. I have not been told that they had any weapons. I am told they had a few sticks with them but obviously by the quick action of the police they could not create any damage and they were taken out of the building. Having said that, I already asked the police Commissioner to provide more police officers. At the same time I must say that police in any country around the world can only control the incident, as they did this time - they can contain and control. It is not possible to prevent each and every incident anywhere in the world. And I think as far as containment and control is concerned, they have done very well.

Q: Steven Fitzpatrick from The Australian newspaper. Given that there will be a few days between voting on Monday as you say and a formal announcement of results later that week, do you have any concerns or any specific information that any groups or supporters of candidates might be planning to cause trouble or has the capacity to cause trouble, and what sort of specific precautions you have in place to deal with that?

SRSG Khare: Democracy is a process that requires internalization of norms of non-violence and mutual respect. It is of course concerning that there is possibility and there is always possibility of disturbances between now and the election day and between the election day and the announcement of the results and even after the announcement of the results. I will not enter into operational details but this is to be tackled on three fronts.
First and foremost the police is gathering the required information to try and take preemptive action and also station its forces with the support of ISF as needed to ensure that when an incident occurs it can be controlled quickly. Secondly, the candidates have to call on their supporters to scrupulously respect the code of conduct, which they themselves have signed, and the broader concept of elections in any democracy to refrain from violence. In this regards I have just made an appeal to all of you just now for all candidates and political parties to refrain from violence and to encourage their supporters to do the same. I have also been told the leaders of the church and the president of the country will be making similar appeals for maintenance of peace over the next three days. And finally there is the role of the international community, which is watching, very carefully, and I do believe that a statement just issued by the Security Council and the message to be delivered by the Secretary General will have an effect.

Q: Richard Lloyd, London Times. In making your contingency plans for security over the election period, which group or elements have you identified as most likely to threaten security? And a separate question, could you just run through the incidents yesterday in [inaudible] and I know there were a few others. Could you just tell us briefly what happened, what injuries there were and who was involved and so on.

SRSG Khare: Let me quickly run through the incidents of yesterday. There were five campaigning events which were held in one day, which is already a very strong challenge and task. In fact in all the campaign events I am told that the security was largely quite reasonable and no major violence occurred during the campaign. Events have occurred when convoys of supporters were either going towards the campaign events or returning from it. There are details where Fretilin were victims, there were people from PD who were victims and there were victims from supporters of other party too. Two of the major incidents are the one which took place in the evening in Gleno in Ermera where of course the situation was control in a short period of time but I believe that close to 20 people sustained injuries some with rama ambons, steel darts, two of them, and some with stones. Some of the injuries were minors and total number of injuries approximately twenty, some were minor, and four had required hospitalization. On the other side of Dili, in the evening when supporters of one candidate were returning back from the rally they were stoned near the Metinaro IDP camp and around 15 or so of them sustained injuries.
I am not going into all the incidents because we can provide that information to you after the press conference and to anybody else who wants it from the spokesperson but I want to highlight the fact that there were five rallies, and despite that all the rallies went off peacefully. I want to also highlight that we have three UN vehicles which have sustained considerable damage while trying to prevent these incidents and control these incidents and in fact two UN police officers also sustained injuries. Luckily they were minor and the officers were so committed that after first aid they continued their work in a short period of time.

Q: And the first question, who have you identified as the potential trouble makers?

SRSG Khare: Well obviously the operational details, which we have both from the police and the ISF, I would not like to share in the public meeting. But what I would say is that one category which we have clearly identified as perpetrators of violence are those who do not have the interest of this country and people at heart. Those who do not believe in democracy, and those who do not have place in a democratic society. So clearly that means all the perpetrators of violence. Of course we have specific information we keep on collecting specific information and we control the situation.

Q: I am Karen, from AAP, I didn’t want to go through all the incidents but I was just wondering if you could confirm one: at the CNE press conference an hour ago they said that the Lasama campaign had complained to them that some of their supporters were shot at with guns yesterday and I was just wondering if you could confirm that, and given that CNE at the press conference said that they felt threatened when people invaded their compound yesterday, why you confident that the elections will be free and fair?

SRSG Khare: Obviously I cannot confirm what Lasama has said or not said to the CNE, but I what I can confirm is that there were no guns shots yesterday except those used by the police to calm the situation. As I said, I am quite saddened that supporters of all political parties seemed to have engaged in some violence or other against other political party. As far as CNE is concerned as I said in the beginning that not only do I condemn this incident and not only have we asked for enhancement of security but we have to recall that the four people did not create any damage the situation was contained and controlled and they were escorted out of the building and I hope that with the increasing number of security in CNE the psychological perception of some members of CNE of fear will be removed and they will be encouraged to do the work as indeed others are doing.

Q: Brian Thomson, SBS. Can you give us an idea the range of security forces that you have on the ground here. ISF, police number etc…

SRSG Khare: There are 1655 international police. In addition there are nearly about 2800 national police officers working in Dili and in the districts and they are supported as required by a close to 1000 strong international stabilization force led by Australian.

Spokesperson Cooper: Are there any questions from a Timorese journalist?

Q: Sebastian from Daily Telegraph. A straight factual answer would be really appreciated. Are supporters of Fretilin responsible for more violence than supporters of any other party?

SRSG Khare: I do not believe that any political leader supports violence and what we have seen is that supporters from all political parties have suffered from some degree of violence at this stage in the campaign, and based upon the investigation of the police I am not prepared to make a judgment on who the perpetrators of the violence were. What we know is who the victims were. I am sorry I don’t have a one word answer.

Q: Can you tell us whether there were any arrests yesterday?

SRSG Khare: As I see it here nearly 15 people were arrested yesterday in Dili. Most of them were arrested for rock throwing because that was the main mechanism by which they were inflicting attack on other party supporters. A few were also arrested for possession of illegal ammunition, bullets, and some were arrested for riotous behavior and finally, while concentrating and focusing on the elections the police continues to do its normal work so one person was arrested for burglary and another person was arrested following up a warrant issued by the Prosecutor General – a case allegedly of paedophilia. We have the names here, but obviously working on the basis that they are innocent unless convicted by the court I will not be able to give the names and since this is the last question before we conclude the press conference on behalf of UNMIT on behalf of my senior leadership wish all of you a very happy Easter and a peaceful elections.

Spokesperson Cooper: We will see you back here at 4 o’clock on April the 9th.

Boletim de voto

(Fonte: STAE/CNE)

Leopardos e chacais na fábula de Lorosae

Expresso – 6 de Abril de 2007

Eleições A campanha eleitoral termina hoje à noite. Segunda-feira escolhe-se um novo líder. Dos sete candidatos dois disputam a vitória: Ramos-Horta e Francisco ‘Lu Olo’ Guterres, o chefe da Fretilin

Tomasi di Lampedusa, que escreveu sobre uma Sicília em convulsão onde nada de fundamental poderia evoluir, teria em Timor-Leste um espelho digno da sua obra-prima sobre o nascimento da Itália: uma insularidade bela e bruta de montanhas e miséria, onde jovens chacais e algumas hienas disputam o poder aos velhos leopardos da política.

Em Timor-Leste, como em ‘O Leopardo’ de Lampedusa - e de Luchino Visconti -, não falta o Catolicismo nos tabuleiros do poder, nem os revolucionários que trazem a arma em punho, que conquistam um Estado para cumprir a maldição: “Para que as coisas continuem iguais, é preciso que tudo mude”.

É este o jogo de promessas entre a utopia, a esperança e a mentira, e outras formas proféticas, que define a campanha para as presidenciais timorenses, onde os candidatos se apresentam aos eleitores com autênticos programas de governo. O período de reflexão eleitoral para as presidenciais de 9 de Abril começa oficialmente hoje é noite. Porém, quase todos os candidatos usaram na quarta-feira, em Díli, a sua melhor pirotecnia.

A Páscoa instalou-se hoje neste país de forte religiosidade católica. A campanha presidencial sai das ruas, que ficam neste fim-de-semana de Paixão para as procissões e outras manifestações alusivas. O futuro de Timor-Leste continua no dia seguinte à Ressurreição do Senhor. “As presidenciais abriram para as legislativas”, comentava, quarta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros timorense, José Luís Guterres, sentado na tribuna do Estádio Municipal de Díli. O chefe da Diplomacia esperava, de semblante carregado, a chegada do candidato José Ramos-Horta. No estádio estariam 800 pessoas. Menos do que o esperado? “As pessoas vão aos comícios por ser um acontecimento social. Só talvez 20% votam nesse candidato e, por isso, não é seguro avaliar o voto pela assistência nos comício”.

No palco montado a meio do estádio tocava o grupo 5 do Oriente. Da rua chegavam ecos das campanhas rivais. Uma numerosa caravana da Fretilin, com apoiantes do seu candidato Francisco Guterres ‘Lu Olo’, atravessou a cidade, vinda do maior comício do dia: mais de 6 mil pessoas, dizem as forças de segurança, que identificaram 400 viaturas.

Um tsunami de amor

O último grande comício de ‘Lu Olo’ aconteceu num terreno da periferia oeste da capital, junto ao circuito de motocross de Díli. Mari Alkatiri, secretário-geral da Fretilin e ex-primeiro-ministro, defendeu o seu candidato à Presidência e prometeu uma vitória à primeira volta. “A Fretilin é um tsunami de amor para Timor-Leste”, afirmou. Tanto na entrada como na saída da cidade, pela central Estrada de Comoro, a caravana da Fretilin esteve envolvida em incidentes de apedrejamento e de, pelo menos, dois disparos, na área da embaixada da Austrália. Ao fim de um dia nervoso, 13 feridos, um deles em estado grave, deram entrada no hospital Guido Valadares, todos vítimas de apedrejamento.

Eram, na maioria, apoiantes da Fretilin, mas também do CNRT. No Estádio Municipal, o novo partido deu cor política ao comício de Ramos-Horta, único candidato que não é dirigente ou deputado de um partido político. O CNRT, que nasceu em torno de Xanana Gusmão, é por enquanto, também, o partido oficioso de Ramos-Horta, além dos pequenos partidos e cisões (como o Grupo Mudança da Fretilin) visíveis na sua campanha. O Presidente da República chegou logo depois de Ramos-Horta. O comício engordou finalmente para cerca de 1700 pessoas, segundo estimativas de observadores internacionais. Pela cidade, num dia de nervos e incidentes, as caravanas serpentearam durante várias horas, geridas por um aparato policial e militar que tentou evitar maus encontros. Ainda assim, as faíscas aconteceram: a grande caravana da Fretilin encontrou e foi encontrada pela de Ramos-Horta, a de Francisco Xavier do Amaral, a de João Carrascalão e a de Fernando ‘Lasama’ de Araújo.

Díli é uma capital pequena. “O povo timorense gosta de um líder que esteja integrado na vida da comunidade”, explicou Jorge Teme, o responsável da campanha eleitoral da Fretilin em Oecusse em 2001 e hoje apoiante da campanha de Ramos-Horta. “Os timorenses são um povo muito ligado à natureza. É à natureza que rezam pedindo que escolha um bom líder. É uma selecção natural”.

Além do apoio de Xanana Gusmão, Ramos-Horta declarou a sua fé política na Igreja Católica, propondo aliás uma referência mais substancial a Deus na Constituição. ‘Lu Olo’, católico praticante, é o candidato de um partido hegemónico que a hierarquia da Igreja tratou várias vezes como o anticristo.

Nesta Páscoa de reflexão, a contagem do rosário interrompe a contagem de peões, ocupação favorita dos assessores das várias campanhas. A questão, no entanto, não é religiosa ou ideológica. Esta ilha é uma fábula e, como em ‘O Leopardo’, a fábula é um detalhe da história: quem vem a seguir a Garibaldi?

O risco de a violência aumentar é um tabuleiro de xadrez

Expresso – 6 de Abril de 2007

ONU está tranquila. O pior estará reservado para as legislativas, quando Fretilin e Xanana lutarem pelo poder

A impressão deixada nas últimas semanas ao ‘staff’ multinacional da ONU, que vai acompanhar a ida às urnas dos timorenses na próxima segunda-feira, é de que a escolha do substituto de Xanana Gusmão será relativamente tranquila, sem grandes distúrbios. Os problemas parecem adiados para as eleições seguintes, quando dentro de poucos meses Xanana defrontar Mari Alkatiri, o secretário-geral da Fretilin que resignou de chefe de Governo em plena crise no ano passado. Ao contrário das presidenciais, a corrida a primeiro-ministro será uma luta de tudo ou nada pelo poder.

Ganhar as presidenciais é como eliminar a rainha adversária num jogo de xadrez, em que ninguém se pode dar por vencido. Só à medida que o cerco ao rei se apertar e a possibilidade de um xeque-mate for maior, é que os peões, os cavalos e os bispos farão tudo para cortar os movimentos do campo inimigo, capazes de se sacrificar por isso.

Apoiada nos resultados das eleições para a Assembleia Constituinte em 2001, que lhe deram a maioria absoluta no parlamento, com mais de metade dos votos, a Fretilin está convencida de que não vai perder. Mesmo sabendo que Xanana teve mais de 80% em 2002.

Os sinais são preocupantes. A divisão interna no maior partido timorense começou gradualmente a ir para a rua. Num dos incidentes ocorridos em Baucau, dois grupos de apoiantes rivais cruzaram-se a meio caminho. Eram ambos da Fretilin. Um estava ali por ‘Lu-Olo’, o presidente do partido e candidato às eleições. O outro estava por Ramos-Horta. “Os apoiantes do dr. Ramos-Horta traziam camisolas da Fretilin vestidas e os nossos reagiram”, justificou ‘Lu-Olo’ ao Expresso. Pode o militante de um partido apoiar outro candidato às presidenciais que não seja do seu partido? Em Timor, dificilmente pode.

Como será, então, quanto aos militantes da Fretilin Mudança (a facção que apoia Ramos-Horta, Xanana e José Luís Guterres, o adversário do secretário-geral Alkatiri no último congresso interno) se juntarem os militantes do novo partido CNRT de Xanana, cuja legitimidade não é reconhecida por Alkatiri?

E, caso Alkatiri regresse ao poder, o que fará o major Reinado, o líder rebelde solto nas montanhas que declarou o ex-primeiro-ministro inimigo número um?

Os 600 desertores do exército que estiveram na origem da crise de Abril e Maio de 2006 continuam espalhados por nove distritos do interior, com o seu problema ainda por resolver. Continuarão eles a considerar Reinado seu chefe militar? E sentir-se-ão atraiçoados pelos resultados democráticos das eleições?

Como diz um conselheiro internacional militar colocado em Díli, Timor é uma terra onde as previsões, quando acabam por acontecer, acontecem de forma inesperada.

M.P.

Avoid violence, ETimor ruling party tells supporters

Dili, April 6 (AFP) - East Timor's ruling party appealed on Friday for party supporters to avoid causing unrest around Monday's presidential election.
It asked its own supporters as well as those of other parties to act "with a high degree of tolerance and restraint."


The statement said about 40 Fretilin supporters had been hospitalised since Wednesday in the capital Dili, the hilltop town of Gleno south of Dili, and in East Timor's second city, Baucau.

"Violence is a weapon of those who don't want democracy," Fretilin said.
The United Nations said at least 32 people were injured in election-related clashes Wednesday in and around Dili, although most of the two-week presidential campaign was peaceful.

Fretilin said its secretary general, Mari Alkatiri, visited the injured in hospital on Friday.

Alkatiri and the party's presidential candidate, Francisco "Lu-Olo" Guterres, expressed sympathy for the victims, regardless of their political affiliation, it said.

Fretilin led the independence struggle against occupying Indonesian forces, and won 57 percent of the vote in pre-independence legislative elections.
The party retains a solid base of support but has also been criticised for a lack of political openness and the use of intimidation.

Guterres is considered a strong candidate to win the election, along with Prime Minister Jose Ramos-Horta and a third candidate, Fernando "Lasama" de Araujo, the chairman of the opposition Democratic Party.
Ramos-Horta replaced Alkatiri last year after unrest that left at least 37 people dead.

The election, the first since independence in 2002, is seeking a replacement for President Xanana Gusmao, who is not seeking re-election in the country formally known as Timor-Leste.

Tumor em Timor-Leste?

Primeiro de Janeiro - 06 de Abril de 2007
Leonardo Júnior

Nós é que fazemos a história. E o resto é que são estórias. Na forma humilde de ser dos moçambicanos, ainda ninguém, do Índico, reclamou os louros de ter sido Moçambique um dos primeiros países que, não só condenou a agressão indonésia a Timor-Leste, como deu mostras de ser solidário, acolhendo jovens timorenses que, do exterior, iriam alimentar a longa luta contra a ocupação.

Para quem só despertou para o drama do povo timorense quando do Massacre de Díli e do Prémio Nobel atribuído a José Ramos-Horta e ao Bispo D. Ximenes Belo, o problema de Timor-Leste já se antevia em 1974. Os timorenses sabiam das intenções da Indonésia de invadir e anexar o território que ainda era, naquela altura, colónia portuguesa. E disso deram conhecimento ao mundo, em 1975, a começar por Portugal e os países africanos de língua portuguesa já independentes, como Angola e Moçambique.

Angola e Moçambique foram os primeiros países que se solidarizaram com Timor-Leste, dando como certas as suspeitas de que a Indonésia se estava a preparar para invadir e ocupar o território. E fê-lo, como se sabe, com a conivência da administração norte-americana e o silêncio cúmplice de muitos países. Angola e Moçambique, pelo contrário, acolheram parte dos resistentes timorenses. José Ramos-Horta e Mari Alkatiri são, hoje, os nomes mais conhecidos de centenas de jovens timorenses que encontraram refúgio em Moçambique, com todo o apoio para a luta que estavam determinados a travar para acabar com a ocupação indonésia. Outros tantos foram acolhidos em Angola.

Ironia das ironias, Angola e Moçambique experimentaram períodos conturbados pós-independência. O que não fez esquecer a solidariedade de que beneficiaram para conquistarem as respectivas independências. Vai daí, mantiveram-se firme na solidariedade dos povos oprimidos, como era o caso de Timor-Leste. E foi com essa retaguarda longínqua, de África, que Timor-Leste manteve acesa a chama da luta pela liberdade. O Nobel da Paz a Ramos-Horta e a D. Ximenes Belo, bem como o Massacre de Santa Cruz, cemitério de Díli, chegaram apenas a uma boa altura, quando o resto do mundo já pouco precisava da Indonésia de Suharto. Quando a Guerra-fria tinha dado lugar aos Direitos Humanos…

Agora, Timor-Leste parece sofrer de um tumor de que já sofreram alguns dos países africanos de língua portuguesa. Sina? – Esperemos que não. E que Timor-Leste encontre rapidamente o rumo para se consolidar como um país…

Blog João Carrascalão Para Presidente – 6 de Abril de 2007

Chegámos ao fim da campanha eleitoral.

Foi uma campanha intensiva, uma verdadeira maratona. E uma experiência gratificante, inesquecível!

Não foi fácil visitar os 13 distritos em 15 dias. Na prática, foram 12 dias, a percorrer quilómetros de estrada em más condições, agravadas pelas chuvas normais nesta época do ano e contactar directamente com as populações que vivem infelizmente em péssimas condições.

Em todos os distritos, o nosso candidato foi recebido com todas as honras tradicionais, numa clara demonstração de que a nossa cultura está viva!

Percorrendo Timor de lés-a-lés, de Lorosae a Loromonu, de Taci Mane a Taci Feto passando por Rai Klaran, conseguimos já, uma vitória: a de que o nosso candidato falou, defendeu as suas ideias, apelou ao respeito e à tolerância, indicou caminhos, sem nunca ter recorrido ao insulto ou a ataques fáceis contra ninguém. Por isso, não sofremos qualquer ofensa nem insultos. Por isso foi tão natural o encontro amistoso com apoiantes de Fernando Lasama e Avelino Coelho, como aconteceu em Aileu ou em Lospalos.

Nos distritos do interior do país, a par das péssimas condições de vida dos habitantes, reina a tranquilidade. A excepção é o distrito de Same. Onde se respira um ambiente de tensão, de medo. Os velhos, as crianças, os jovens não sorriem nem mesmo quando Anito Matos utiliza todo o seu saber e dotes artísticos. Nada os faz perder o ar grave e sério. Em Same, o ambiente tenso, pesado, recorda os tempos da ocupação indonésia. Hoje, há novos ocupantes e vieram da Austrália.

Ontem, em Díli, realizámos o nosso último comício no Ginásio Nacional que esteve praticamente cheio com apoiantes que vieram de todos distritos. Foi um fim de campanha cheio de alegria que, nem mesmo as provocações de alguns conseguiram estragar.

Mas, ao fim de duas semanas, constatadas as dificílimas condições de vida dos timorenses, a conclusão é só uma: Timor-Leste tem de mudar.

No dia em que fechamos a nossa campanha, cumpre-nos apenas repetir o apelo do nosso candidato na sua mensagem final no debate transmitido hoje em directo pela Rádio e Televisão de Timor-Leste: Que todos votem. Porque é no voto que reside a força do povo. Porque é fundamental que o povo manifeste a sua vontade de forma livre, directa e transparente. Porque é no voto que reside a força da democracia.

Votemos, pois, pela mudança. A mudança tem um rosto. Tem um nome: João Carrascalão!

Nós votamos em João Carrascalão para Presidente da República de Timor-Leste!

Votem como nós! Votem João Carrascalão!

PS: A Internet está demasiado lenta e, por isso, hoje colocamos apenas algumas fotos dos comícios de Aileu, Baucau (com o liurai de Garawai), Díli, Lospalos, Maliana e Suai. Amanhã, haverá mais.

Ver Fotos em: http://joaocarrascalaoparapresidente.blogspot.com/index.html

Candidatos criticam atraso nos cartões de fiscais

Timor Leste, 06 de Abr (Lusa) - Quatro candidatos presidenciais queixaram-se hoje em Díli de atrasos, por parte do Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE), na emissão dos cartões para os fiscais e observadores às eleições de 09 de Abril, que também consideram estar mal concebidos.

"Os cartões que foram emitidos podem ser utilizados por qualquer indivíduo. Não trazem a sua identificação, não trazem o local de residência do portador e não sabemos quem os poderá utilizar", disse o candidato presidencial João Carrascalão, numa conferência de imprensa conjunta que se realizou hoje, em Díli, e que contou ainda com as presenças dos candidatos, Fernando "Lassama" de Araújo, Francisco Xavier do Amaral e Lúcia Lobato.

A candidata apoiada pelo Partido Social-Democrata admitiu, quando questionada pelos jornalistas, pedir a "impugnação" das eleições, devido aos atrasos que, afirmou, podem impedir o envio dos cartões para o interior do país antes do dia 09 de Abril.

"Nós vamos utilizar os canais legais. Estamos a preparar documentos de protesto para a Comissão Nacional de Eleições, que é o órgão competente para resolver este assunto", disse Lúcia Lobato, que acrescentou que são precisas medidas urgentes para resolver a questão.

"Se o Governo falhar isto é um processo falhado e por isso vamos pedir ao tribunal para declarar que as eleições não são válidas e que devem realizar-se outras eleições", disse a candidata Lúcia Lobato.

"Pedimos ao STAE que corrija as anomalias que nós detectamos e pedimos às Nações Unidas que tomem providências no sentido de terem observadores e fiscais da ONU para impedir desvios ao processo normal", declarou João Carrascalão que adiantou que a situação vai ser transmitida à Comissão Nacional de Eleições e ao representante especial do secretário-geral das Nações Unidas em Timor Leste, Atul Khare.

Nas eleições presidenciais de 09 de Abril, cada um dos oito candidatos é representado em cada uma das 705 estações de voto, a nível nacional, por um fiscal e por um observador mas as credenciais que foram emitidas pelo STAE não especificam a que candidatura pertence o portador do cartão.

Os cartões exibidos na conferência de imprensa pelos quatro candidatos referem apenas o nome mas não contêm mais nenhum dado de identificação, nem a fotografia do fiscal ou observador.

"O portador deste cartão tem uma grande competência. Tem de verificar a votação e assinar as actas", disse a candidata Lúcia Lobato que se queixou de ter recebido "há apenas duas horas" (15:00 em Díli, 07:00 em Lisboa) os cartões que pertencem aos membros da sua candidatura que foram designados para desempenhar funções como fiscais e observadores junto das estações de voto.

Segundo a candidata, vai ser impossível enviar as creditações para os distritos do interior ou do enclave de Oecussi.

"Com as chuvas que se fazem sentir e devido ao mau estado das estradas de Timor-Leste vai ser muito difícil para nós enviar todos os cartões para todas as estações de voto do país. Não temos garantias de que vamos ter as pessoas devidamente credenciadas. Esperamos que possam resolver estas anomalias para podermos ter uma eleição justa", acrescentou também João Carrascalão, candidato apoiado pela União Democrática Timorense.

A candidata Lúcia Lobato disse ainda que os candidatos da oposição têm informações que indicam que foram distribuídos há três dias os cartões para os fiscais e observadores da FRETILIN, partido com maioria na Assembleia Nacional, e que apoia o candidato Francisco Guterres "Lu Olo".

"Eles (FRETILIN) já têm tudo preparado e já fizeram a distribuição em todo o país. Recebemos informações dos distritos que indicam que apenas os fiscais e observadores de "Lu Olo" receberam os cartões a tempo", disse Lúcia Lobato.

"Eles (FRETILIN) já têm os cartões distribuídos por todo o lado mas nos só os recebemos há duas horas", acrescentou João Carrascalão.

Filomeno Aleixo, porta-voz da FRETILIN, contactado pela agência Lusa, disse que a candidatura de Francisco Guterres "Lu Olo" só recebeu "um terço" dos cartões para fiscais e observadores.

"A situação está uma desordem formidável, só recebemos um terço dos cartões", afirmou.

Entretanto, Faustino Cardoso Gomes, membro da CNE disse à agência Lusa que as reclamações já foram recebidas e que foi pedida a intervenção das Nações Unidas para a distribuição das credenciais no interior do país.

"Nós já recebemos as reclamações acerca das credenciais e já apresentamos uma carta ao STAE. Demonstramos preocupação acerca do atraso porque isto pode prejudicar o processo. Verificaram-se atrasos, sobretudo, na entrega dos cartões aos fiscais da UDT, do PSD e da FRETILIN, a questão agora é o curto tempo para a distribuição das credenciais. Vamos pedir apoio às Nações Unidas para distribuir os cartões de helicóptero", disse Faustino Cardoso Gomes à agência Lusa.

O membro da CNE considera que as fotografias do portador deviam constar nas respectivas credenciais, tal como estava previsto pelo STAE.

"Desde início, o STAE disse que os cartões deviam ter fotografias, o pessoal entregou as fotos mas na realidade não estão nos cartões. Disseram que algumas fotografias desapareceram e foi por isso que decidiram não as colocar nas credenciais. O CNE considera uma má prática e vamos tentar verificar o que aconteceu", afirmou Faustino Cardoso Gomes.

O STAE é um organismo do Estado de apoio técnico às eleições.

Cada um dos oito candidatos conta com cerca de 1.000 fiscais e observadores distribuídos pelas 705 estações de voto que foram montadas em todo o país para as eleições presidenciais de 09 de Abril.

De acordo com João Carrascalão, os candidatos Avelino Coelho e José Ramos Horta concordam com o mesmo protesto mas não puderam estar presentes na conferência de imprensa por motivos ligados a assuntos de campanha, que oficialmente termina hoje à meia-noite (16:00 em Lisboa) e o candidato Manuel Tilman não foi contactado pelos quatro candidatos presentes na conferência de imprensa.
PSP-Lusa/fim

Candidates allege manipulation of ETimor election

AFP – 6 April 2007

Dili - Half the candidates in East Timor's presidential poll said Friday they fear many attempts have been made to manipulate the election process ahead of Monday's vote.

"We fear that there are a lot of attempts to manipulate the whole election process," the candidates said in a joint statement.

"There's been a lot of intimidation, a lot of violence, and a lot of threats. We fear that violence can occur on the day of the vote."

The statement was read at a press conference by Joao Viegas Carrascalao, one of eight candidates seeking to replace President Xanana Gusmao in the election, the first since East Timor's independence in 2002.

Joining him at the press conference was Fernando "Lasama" De Araujo, the chairman of the opposition Democratic Party, who is a strong contender to win the election.

Lucia Lobato, running for the opposition East Timorese Social Democrat party, and Fransisco Xavier do Amaral, the chairman of the Timorese Social Democrat Association (ASDT) party, were also present.

"We ask the UN to guarantee security and to be aware of all these attempts of manipulation and if the UN doesn't take any measures we will provide our own security and our own observers," Carrascalao said.

"We have in many cases made complaints to the proper authorities and so far we haven't seen any measures taken."

At least 32 people were injured Wednesday in various clashes between supporters of rival candidates in and around the capital Dili, the UN said.
Rocks were thrown, five people were injured by steel darts, and in one incident UN police said they fired warning shots amid unrest near the Australian embassy in Dili.

But Atul Khare, head of the UN mission in East Timor, said most campaign events had been peaceful.

Two other candidates considered possible winners of the election did not join the press conference. They are Prime Minister Jose Ramos-Horta, and Francisco "Lu-Olo" Guterres of the ruling Fretilin party.

Indonesia occupied East Timor for 24 years before the former Portuguese colony gained independence in 2002 after a period of UN stewardship.

Violence has pulsed through the fledgling state and last year at least 37 people were killed and more than 150,000 fled their homes in unrest that triggered the dispatch of Australian-led international peacekeepers.

Campanha termina hoje com apelos ao voto

Rádio Renascença - 06-04-2007 10:29

A três dias das presidenciais timorenses sucedem-se os apelos ao voto nas presidenciais. Os cerca de 520 mil eleitores inscritos têm até segunda-feira para reflectir.

O escrutínio vai determinar o sucessor de Xanana Gusmão, chefe de Estado formalmente empossado em 2002.
O actual Presidente juntou-se hoje ao Bispo de Díli e a Ramos Horta para uma mensagem conjunta dirigida aos timorenses.

Numa declaração em tétum, Xanana apelou ao povo para votar a 9 de Abril e condenou os incidentes ocorridos durante a campanha.
Já, Ramos Horta deixou uma mensagem de paz e tolerância ao povo em vésperas do acto solene.

Por sua vez, D. Ricardo apelou aos cidadãos que cumpram o seu dever cívico e que ponderam bem em quem votam.
Desde 23 de Março último, que os oito candidatos percorreram praticamente o país de lés-a-lés, com alguns incidentes de percurso, sempre desdramatizados pela comunidade internacional, que assinalaram que o processo eleitoral nunca foi posto em causa.

Escaramuças entre candidaturas rivais causaram dezenas de feridos em diversos pontos do país, sobretudo na capital, Díli, provocando a intervenção das forças internacionais de segurança.

Toda a estrutura e logística eleitoral para a votação está já a ser montada, que vai contemplar 504 centros de votação e 704 estações de voto.

Apresentam-se à votação oito candidatos, com José Ramos Horta (independente) e Francisco Guterres "Lu Olo", (apoiado pela Fretilin) a constituírem os dois favoritos à sucessão de Xanana Gusmão. Mas, a estas eleições apresentam-se também Francisco "Lasama" de Araújo, João Carrascalão, Francisco Xavier do Amaral, Manuel Tilman, Avelino Coelho e Lúcia Lobato, a única mulher a concorrer.

Campanha das presidenciais termina às 16:00 de Lisboa


Díli, 06 Abr (Lusa) - A campanha para as eleições presidenciais da próxima segunda-feira em Timor-Leste termina às 24:00 locais de hoje (16:00 em Lisboa), deixando em aberto dois dias de reflexão para os cerca de 520 mil eleitores inscritos.

Desde 23 de Março último, que os oito candidatos percorreram praticamente o país de lés-a-lés, com alguns incidentes de percurso, sempre desdramatizados pela comunidade internacional, que assinalaram que o processo eleitoral nunca foi posto em causa.

Escaramuças entre candidaturas rivais causaram dezenas de feridos em diversos pontos do país, sobretudo na capital, Díli, provocando a intervenção das forças internacionais de segurança.

Toda a estrutura e logística eleitoral para a votação está já a ser montada, que vai contemplar 504 centros de votação e 704 estações de voto.

A actualização do recenseamento registou um total de 522.933 eleitores, sendo Díli a cidade em que se concentra o maior número de votantes, com 99.260 eleitores, secundada por Baucau, com 60.522.

Mais de 144 mil pessoas, incluindo 77.315 novos recenseados, receberam novos cartões de eleitor nos vários locais de registo por todo o país, que serão fiscalizados pelos cerca de 2.080 observadores, 180 deles internacionais.
As presidenciais timorenses vão determinar o sucessor de Xanana Gusmão, chefe de Estado formalmente empossado em 2002.

Apresentam-se à votação oito candidatos, com José Ramos Horta (independente) e Francisco Guterres "Lu Olo", (apoiado pela Fretilin) a constituírem os dois favoritos à sucessão de Xanana Gusmão.

Às eleições, as primeiras após a independência de Timor-Leste, a 20 de Maio de 2002, apresentam-se também Francisco "Lasama" de Araújo, João Carrascalão, Francisco Xavier do Amaral, Manuel Tilman, Avelino Coelho e Lúcia Lobato, a única mulher a concorrer.
JSD-Lusa/Fim

O programa que Horta quer partilhar com Xanana

Expresso
06-04-07

As promessas de Ramos-Horta, assinadas por baixo por Xanana. Casas para todos, impostos para quase ninguém

O discurso nos comícios em Díli e nos distritos do interior foi tão exacto nos valores que, se se tratasse do programa de um candidato a Presidente da República em Portugal, choveriam leituras políticas sobre uma tentativa de mudança de regime.

Um presidente que quer exercer o seu mandato como um primeiro-ministro? Em Timor, no entanto, o programa que o ainda primeiro-ministro interino José Ramos-Horta pretende pôr em prática caso venha a ganhar as eleições presidenciais de dia 9 não pode ser visto como uma intenção para ser gerida apenas a partir do Palácio das Cinzas.

As ideias foram discutidas previamente com o presidente-cessante Xanana Gusmão.

Segundo o Expresso apurou em conversas tidas com ambos nos últimos dias, a estratégia dos dois velhos aliados é conseguir pô-las em prática em conjunto se o líder histórico da resistência timorense vencer as eleições legislativas do próximo Verão e se se assumir como novo primeiro-ministro, tal como espera.

Uma das medidas mais surpreendentes da dupla Horta-Xanana é o modelo de sistema fiscal, que significaria a isenção total de impostos a todos os que ganham menos de mil dólares por mês, o que inclui praticamente toda a população (nem um ministro ganha isso), sendo que quem recebe salários superiores passaria a pagar apenas 10%. Para as empresas, o sistema também deve ser aliviado, de acordo com o discurso do candidato, para que a prioridade seja facilitar as condições de criação de empresas e de atracção de investimento estrangeiro.

Petróleo salvador

A proposta está assente nas receitas vindas das concessões de petróleo e gás do Mar de Ti mor, que irão aumentar exponencialmente nos próximos anos (só no último ano, o orçamento geral de Estado duplicou para 300 milhões de dólares, permitindo ainda acumular 600 milhões de dólares de poupanças no famoso fundo de petróleo de inspiração norueguesa). É também com base no petróleo que o candidato diz que vai ajudar a pôr de pé um esquema de pensões mínimas que permita dar 40 dólares por mês aos 100 mil timorenses mais pobres (um décimo da população) e um plano nacional de habitação que ofereça casas "para pobres, funcionários público, agentes da Polícia Nacional de Timor-Leste e professores".

Ramos-Horta compromete-se ainda a atribuir cinco milhões de dólares em bolsas de estudo e outros tantos milhões para criar centros juvenis, além de reservar pelo menos dez milhões para a Igreja católica, à qual reconhece "um papel alargado na direcção espiritual e moral" do povo timorense.

O contraste é grande com o principal dos sete candidatos adversários às presidenciais. No discurso de apresentação, Francisco "Lu-Olo" Guterres, presidente da Fretilin, reforçava a ideia de que exercerá "estritamente as competências atribuídas pela constituição". A pensar também, no fundo, em dividir o poder com um primeiro-ministro aliado. Alkatiri, no seu caso.

NÚMERO 0 %

É quanto vão pagar de impostos os timorenses que ganham menos de mil dólares por mês (quase toda a gente) caso Ramos-Horta vença as eleições.

NOTA DE RODAPÉ:

Demagogia e populismo. O Expresso adorou...

"Vou fazer um golpe democrático"

Expresso
06-04-07
Micael Pereira

Na primeira entrevista ao Expresso desde a crise de Maio de 2006, Xanana fala dos planos que traçou com o primeiro-ministro Ramos-Horta para afastar a Fretilin do poder em Timor-Leste.

P. Acredita na vitória de Ramos-Horta nas eleições presidenciais?

R. Sim. Não promete coisas fúteis e tem sido coerente. Não ataca nem ofende ninguém, sabe o que diz, o que pensa e tem uma visão do que pode fazer pelo povo.

P. Admite que existe uma aliança entre si e Ramos-Horta para uma confrontação com a Fretilin?

R. Agradecia que retirasse a palavra confrontação. Isto é uma competição democrática. Posso dizer que buscamos os melhores aliados para um processo a que nos comprometemos.

P. Ramos-Horta tem um verdadeiro programa de governo. Ele fala de distribuição de verbas, de isenção de impostos... as medidas apresentadas na candidatura dele são partilhadas por si?

R. Sim. Servem para dizer ao povo que para resolvermos a situação sócio-económica do país temos de proceder a algumas mudanças. Por isso estamos juntos.

P. É verdade que a igreja está a dar apoio às vossas candidaturas?

R. Apoio moral. Não se esqueça de que em 2005 a Igreja fez manifestações durante 19 dias. Nós, ao aparecermos, estamos a corresponder à sua expectativa.

P. A crise de Abril e Maio de 2006 foi resolvida da melhor forma?

R. As questões fundamentais da crise ainda não foram resolvidas. Por isso, se fala de aliança, é preciso dizer que se trata de uma aliança de princípios e objectivos em que é muito importante estarmos juntos para colocar os interesses gerais do povo acima dos interesses individuais ou de grupo. É preciso que todas as entidades e instituições do Estado pensem a mesma coisa. E isso não tem acontecido.

P. Como vê a coabitação nos últimos meses de Ramos-Horta com a Fretilin no Governo?

R. Ficou revelado mais uma vez a incapacidade de os timorenses sobreporem os interesses da nação aos interesses de grupo. Ramos-Horta foi indicado, mas não era da Fretilin e não tinha apoio suficiente do próprio elenco governamental.

P. Numa entrevista, Mário Carrascalão diz que pessoas envolvidas nos massacres em 1975 estão hoje no Governo.

R. Queremos pôs o passado para trás, comprometendo-nos que não se irá repetir. Mas em Abril de 2006 acabámos por cometer os mesmos erros. Esse é o problema e é por isso que nasce o (partido) CNRT e esta aliança, para corrigir as mentalidades. Estamos num sistema multipartidário mas há pessoas que querem impor um sistema controlador dos cidadãos.

P. Está a falar de Mari Alkatiri e do grupo de Maputo?

R. Se a mensagem é, assim, entendida pela Fretilin, então é à Fretilin que me refiro.

P. Tem sido criticado pelo facto de o seu partido imitar a sigla do antigo CNRT (do qual a Fretilin fazia parte). E acusado de usurpar um nome suprapartidário.

R. Existe um código de conduta que as pessoas não respeitam. Em vez de falarem dos seus programas, atacam os outros. E Xanana é o alvo número um. Só prova a grandeza de espírito desses políticos que provocaram a crise. Acusaram-me de originar a crise e de tentar fazer um golpe de Estado. Agora eu vou fazer um golpe democrático através das eleições. Não preciso de golpes de Estado.

P. Imagine que a Fretilin perde as eleições presidenciais e as eleições legislativas. Nesse cenário, o risco de violência em Timor será maior?

R. Nós sabemos de alguns núcleos e sítios de onde podem aparecer alguns tiros. Aí veremos o sentimento democrático de pessoas que têm acusado outras mas que não sabem aceitar uma derrota política. O povo está atento às ameaças que se ouvem.

R. Os seus críticos - e inclusive jornalistas australianos - dizem que teve uma atitude de protecção em relação ao rebelde major Reinado.

R. Não tive. Existe um comité de alto nível e as decisões são tomadas nesse comité. Foram tomadas colegialmente.

P. A condenação do ex-ministro do Interior Rogério Lobato (vice-presidente da Fretilin) foi justa?

R. Não posso dizer se foi ou não justa. O que se conseguiu provar foi a independência e a capacidade dos nossos tribunais em se pronunciarem mesmo que isso se relacione com um antigo governante.

P. Rai-Los, o líder do esquadrão que foi armado pelo ex-ministro Rogério Lobato, ainda não foi condenado. Dizem que ele é seu apoiante.

R. Em Portugal, há o problema das listas de espera para consultas médicas. Aqui, a lista de espera é longa no tribunal. Não temos recursos humanos e os casos vão-se resolvendo um a um. Mas de certeza que Rai-Los vai responder em tribunal.

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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